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11 de jan. de 2021

Macarrão Oriental: Chow Mein ou Yakisoba?

Macarrão Oriental: Chow Mein ou Yakisoba?

Se eu te perguntar que preparação é essa da foto você vai dizer yakisoba, certo? Pois é. Também tinha certeza que estava provando o yakisoba do maridão. Até conversar com o Suzuki, o meu querido amigo japonês. 

Acabei descobrindo que o Thiago vem fazendo (muito bem, por sinal) uma versão do tal chow mein, um macarrão chinês bem semelhante ao mundialmente conhecido yakisoba. E aí essa matéria acabou mudando de foco. Além de te inspirar a criar o seu prato oriental a partir dessa bela imagem, também quero te contar um pouco da história desses dois macarrões com legumes. 


A massa das duas receitas é a mesma. Foto: Nan Palmero / Wikimedia Commons

A massa de macarrão não tem uma origem muito bem definida. Ao que tudo indica, a preparação de cereais e água pode ter sido feita pela primeira vez pelos povos da Mesopotâmia há 2.500 a.C.. Outra possibilidade é a de que o macarrão tenha surgido na China, há quatro mil anos. 


O que reforça essa última hipótese, e a deixa como sendo uma das mais aceitáveis, é o fio de macarrão encontrado em um sítio arqueológico chinês. Divergências à parte, ainda que não se encontre o dono dessa brilhante invenção gastronômica, o que sabemos é que a receita milenar permanece praticamente intacta até os dias de hoje. 


Macarrão: com três ingredientes criamos a massa mundialmente famosa. Foto: Creative Commons / Pxhere.com

Para fazer massa de macarrão, basta juntar farinha de trigo, ovo e sal que a mágica acontece. E é dessa mistura básica, inclusive, que o macarrão chinês usado no chow mein é feito. Aliás, seguindo essa lógica, se você não tiver o tal "macarrão chinês" para fazer o prato você pode usar fettuccine ou linguini que também vai dar certo e ficar ótimo. 


Por falar nisso, é na massa que está a primeira diferença sutil entre o yakisoba e o chow mein. O macarrão usado no yakisoba não leva farinha de trigo comum na receita. A preparação japonesa é feita a partir da farinha do trigo sarraceno, que é um grão integral que não contém glúten. 


Macarrão feito com trigo sarraceno. Foto: Creative Commons / Pxhere.com

A outra peculiaridade do yakisoba é o fato dele ser preparado em uma chapa bem quente. A origem do nome "yakisoba", que é uma palavra japonesa, vem daí. O nome significa "macarrão de sobá frito", já que "yaki" é "grelhar" e "sobá" é o mesmo que "massa". 


O que os chineses criaram também é um macarrão frito com legumes, mas o chow mein é frito na panela wok, a mesma usada aqui em casa pelo maridão. E é por conta dessas duas diferenças serem tão pequenas que muitos pesquisadores atribuem o yakisoba à culinária chinesa.


Yakisoba de plástico na vitrine de um restaurante em Osaka. Foto: Colin McMillen / Wikimedia Commons
Suzuki me contou que essa questão da origem do yakisoba é confusa até para os próprios japoneses. O prato se tornou popular no Japão a partir dos anos 1920, com a expansão da comunidade chinesa em solo japonês. Como resultado, a receita chinesa foi modificada, dando origem ao que conhecemos no Japão como sendo yakisoba. 


E a confusão não para por aí. Aprendi que, além do chow mein, existe o lo mein. E a única diferença entre esses dois pratos orientais é o modo de preparação. No lo mein o macarrão é cozido somente em água e fica mais macio. Já no chow mein a massa, depois de amolecida em água por aproximadamente 3 minutos, é frita em óleo bem quente e, por isso, fica bem crocante. 


O lo mein tem uma textura mais macia que o chow mein. Foto: Nita Knott / pixy.org

Mas como saber o que você está comendo? Pela diferença de textura entre o chow mein e o lo mein é fácil descobrir. Mas e entre o yakisoba e o chow mein? Bem, se você faz questão de identificar o prato, e não estiver nem na China e nem no Japão, o que pode te ajudar a identificar essas duas preparações tão parecidas é o molho que envolve a massa. 


De acordo com a pesquisa feita pelo Suzuki, no chow mein, normalmente, o único molho usado é o de ostras. Já no yakisoba os japoneses costumam colocar, além do molho de ostra, outros produtos. Os mais usados são o molho inglês e o molho para costeleta de porco. 


Molho de ostra é uma preparação muito usada na culinária oriental. Foto: Showcake / shutterstock.com

A escolha dos vegetais também pode ajudar a identificar a nacionalidade do prato: o chow mein é mais colorido, sendo preparado com mais variedades de legumes e verduras do que o yakissoba. 


E aí, vem outra dica importante: ao fazer o seu macarrão oriental (não importa se vai ser uma versão do chow mein ou do yakisoba), evite usar abóbora, inhame ou batata. Dê preferência aos legumes menos "maçudos", como a cenoura e a vagem. As verduras "crocantes" também são uma forma de deixar o seu prato ainda mais interessante. Boas opções são a acelga e o repolho.


Repolho roxo deixa o seu macarrão oriental ainda mais colorido. Foto: flaviasaad0 / Creative Commons / pixabay.com
A lista de ingredientes para fazer esse prato, inclusive, é bem flexível. O macarrão oriental é quase que um mexidão no qual você substitui o arroz pela massa. Não tem mistério. Mesmo porque, independentemente de ser os originais yakisoba ou chow mein, ou ainda uma releitura deles, que você está cozinhando é uma receita de macarrão. 

Então, se a macarronada de domingo é uma preparação que você já faz de olho fechado, que tal substituí-la de vez em quando pela sua versão dos clássicos orientais? 


A panela wok é ótima para se fazer macarrão oriental. Nela todos os ingredientes ficam em contato com o calor do fogo.

Sei que parece uma receita ousada, difícil de executar. Mas só parece. Aliás, essa Vida de Cozinheiro tem muito disso: o prato de nome diferente passa, muitas vezes, a impressão de ser complicado. Mas é só você arriscar um pouquinho que dá certo. 


Para você se inspirar a fazer a sua versão de um desses dois pratos importantes da culinária oriental, deixo aqui o link para a receita de macarrão oriental do maridão


O maridão cozinheiro Thiago Inter saboreando mais uma deliciosa invenção gastronômica. 

Além do maridão, aproveito para agradecer a ajuda do Suzuki. Sem ele fazer essa matéria também não seria possível. Como é bom ter um consultor "da Terra do Sol Nascente" para todos os assuntos dessa minha Vida de Cozinheiro. Muito obrigada, amigo querido!


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