Consumo Consciente na sua Cozinha!

Por quarta-feira, 8 de agosto de 2018 ,


Terra vista da Apollo 10 em 18 de maio de 1969. Foto: NASA / divulgação.
Tanto que 3 anos depois da histórica foto, capturada pela missão da NASA Apollo 10 em 1969, os principais líderes mundiais se reuniram em Estocolmo, Suécia, na Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano.

Essa foi a primeira tentativa globalizada de encontrar alternativas sustentáveis para esse nosso lar. Até uma Declaração sobre o Meio Ambiente Humano foi, oficialmente, redigida durante a Conferência de Estocolmo.

Visão geral da reunião de abertura da Conferência de Estocolmo, na Suécia. Foto: Yutaka Nagata / UN Photo / divulgação. 
Ideias que ficaram ainda mais próximas de nós brasileiros a partir da década de 90. Vinte anos depois do encontro na Suécia, a ECO-92, também conhecida como RIO-92, trouxe a discussão para o nosso país.

A "Cúpula da Terra" foi um sucesso. Cento e setenta e oito chefes de governo marcaram presença no evento realizado na Cidade Maravilhosa, número poucas vezes visto até então fora da sede da ONU.

Líderes mundiais se encontraram na Cúpula da Terra para discutir o futuro do planeta. Foto: Michos Tzovaras / UN Photo / divulgação.
A RIO-92 também produziu uma nova declaração estabelecendo metas de sustentabilidade para as nações e impulsionou a pauta ambiental de maneira significativa para as futuras gerações. Foi lá na RIO-92 que essa ideia dos 3Rs (reduzir, reutilizar e reciclar) começou a ser implementada.

A ECO-92 também estabeleceu para o mundo a chamada Agenda 21, um conjunto de ferramentas de planejamento estratégico para que cada governante possa construir uma sociedade sustentável.

A RIO-92 foi um marco para o desenvolvimento sustentável mundial. Foto: Michos Tzovaras / UN Photo / divulgação.
Hoje, as entidades ligadas à proteção do meio ambiente já consideram 7Rs nesse processo (reduzir, reutilizar, reciclar, repensar, respeitar, recusar e responsabilizar) e ONU já fala da Agenda 2030.

Eu não sabia, mas fiquei conhecendo os 17 objetivos principais das Organizações das Nações Unidas para o planeta durante minha participação no Conbran, em abril desse ano, aqui em Brasília. Pois é, esse consumo sustentável estabelecido pelos principais líderes mundias há quase 30 anos, também é pauta dessa nossa vida de cozinheiro.

Participar do XXV Congresso Brasileiro de Nutrição ampliou a minha visão de cozinheira.
Afinal, precisamos fazer mais que controlar a quantidade de sal e de gordura na comida ou evitar a todo custo os alimentos transgênicos ou, ainda, parar de levar a sacolinha do supermercado pra casa.

São ações importantes? Claro! Mas somos parte de um todo, esse incrível espaço está doente e a responsabilidade do consumo e descarte conscientes também é nossa.

Navios abandonados na cidade portuária de Moynaq, no Uzbequistão depois da rápida recessão do Mar do Aral em 2010. Foto: Foto: Eskinder Debebe / UN Photo / divulgação. 
Sei que Moynaq, no Uzbequistão, está bem longe da nossa realidade. Mas será que nossas atitudes na cozinha também não contribuem para o agravamento desse quadro? Sempre me questiono se não estou comprando utensílios em excesso.

Na minha cozinha tem máquina pra fazer de tudo: pão, arroz, feijão. Tem faca que não acaba mais. Mas eu tento não ficar trocando os produtos sem necessidade. Minha geladeira não é chique e nem bonita. Pelo contrário. Tem mais de 20 anos e solta água no chão quando descongela.

Pra barrar a água que escorre da geladeira eu coloquei o tapete feito à mão. Ficou lindo e resolveu o problema. 
Já pensei em trocá-la inúmeras vezes. Mas aí vem o questionamento: por que mesmo? Só porque é velha? Só porque é feia? Só por que não é moderna? Aí a ficha cai e eu vejo que não faz sentido algum substituí-la.

Tudo bem, cozinha é um ambiente mais úmido e a tendência dos produtos é estragar num tempo menor. Mas muito dos defeitos dos nossos aparelhos poderiam ser evitados. Será que você anda fazendo a limpeza regular dos seus eletrodomésticos?

A minha panela de fazer arroz está novinha. Ganhei da mamãe há 5 anos quando vim morar em Brasília. Na ocasião mamãe comprou duas, uma pra mim e outra pra ela. A dela já foi pro lixo há muito tempo. Aliás, nesses 5 anos, mamãe já teve 3 panelas de arroz.

A panela de arroz da mamãe é mais nova que a minha e já está toda oxidada.
Será que ela é tão azarada assim que recebeu três produtos defeituosos? Tenho certeza que não. A diferença é que eu cuido bem da minha panela de arroz. Nunca a guardo molhada ou suja e não aproveito a cuba dela para nenhum outro fim. Manuseio o utensílio com todo o cuidado do mundo.

Há quem diga que isso é frescura, afinal é só uma panela pra fazer arroz que não custa nem 200 reais. Mas não é isso. E nem é pelo preço. Imagina se todo cozinheiro fizer igual a minha mãe: usar 1 panela de arroz por ano. O mundo vai se acabar em sucata de panela de arroz!

Mamãe diz que é falta de sorte. Eu acho que a panela dela está assim por falta de cuidado.
Tá, sei que estou exagerando, mas a lógica se aplica à tudo. Sempre vai existir uma panela mais bonita, mais moderna, mais eficiente. Mas será que a gente precisa disso pra ter uma Vida de Cozinheiro divertida?

A geladeira da minha sogra só falta falar mas, no frigir dos ovos, o que ela faz é o mesmo que a minha: conservar o alimento em baixa temperatura. Tá, tem o papo de vendedor de que esses novos eletrodomésticos ultra-mega-blaster modernos consomem menos energia. Será mesmo? Faça as contas.

A geladeira da minha sogra é linda! Mas faz a mesma função da minha velhinha.
Duvide um pouco das propagandas. Nem tudo é o que parece ser. Às vezes nos encantamos pela "roupagem" e quando vamos "colocar a mão na massa" percebemos que aquele novo produto moderno (e com um ar de retrô) faz a mesma coisa que o outro fazia.

Agora, se a vantagem for mesmo grande, troque. Mas se preocupe também com o que está indo para o lixo. Será que aquele liquidificador ou aquele fogão velho não pode fazer a alegria de alguém?

O descarte indevido de um eletrodoméstico contamina o meio ambiente. Foto: sinir.gov.br
Aqui em casa, quando eu tenho que descartar algo do tipo, coloco o produto no quartinho do lixo do meu prédio numa caixa separada com um bilhetinho informando "para doação". Assim, quem tiver interesse, pega. Pode ser um morador, a faxineira, o lixeiro do caminhão de recicláveis ou o próprio catador. Claro, faço isso quando não encontro antes alguém que queira ficar com o utensílio.

Outra dica é pesquisar no portal da prefeitura da sua cidade. Muitos municípios oferecem gratuitamente o serviço de "papa-móveis". Basta você entrar em contato que eles buscam o eletrodoméstico usado na sua casa e doam pra quem precisa. Um bom exemplo é o programa papa-móveis da prefeitura de Vitória, capital do Espírito Santo.

Serviço papa-móveis da prefeitura de Vitória. Foto: TV Gazeta / reprodução.
Acho que a ideia é essa. Pra tudo. Pensar no outro é a solução para o mundo e, muitas vezes, dos nossos problemas. Sair desse nosso mundinho, enxergar o que temos, praticar o consumo sustentável e agradecer por tudo o que possuímos.

Não é um exercício fácil mas eu, pelo menos, percebi que tenho demais. Além da conta, inclusive. E essa consciência me mudou enquanto consumidora. Afinal, até outro dia, esses produtos eram considerados bens duráveis, não é mesmo?

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