Onigiri, a receita!

Por quarta-feira, 4 de julho de 2018 , , , , , ,


Espero que você tenha aproveitado as dicas que dei semana passada e conseguido comprar todos os ingredientes pra fazer o Onigiri, o famoso (e delicioso!) bolinho de arroz japonês.

Voltemos, então, à receita do Onigiri feita com arroz de sushi. Se você não leu o post anterior, dê uma olhadinha na matéria. Como disse, para reunir todos os elementos do Onigiri, você pode ir à mercearia japonesa mais próxima da sua casa ou acessar algum site e-commerce de produtos orientais.

O arroz do Onigiri é o mesmo do sushi. Foto: The Rice Factory Honolulu.
O ideal é adquirir, preferencialmente, o cereal de grão curto porque ele é mais grudento que o arroz de grão longo e essa propriedade vai te ajudar bastante no momento de dar forma aos bolinhos.

Também não esqueça de levar pra casa a alga para envolver o Onigiri, chamada de “Nori”.

A Nori deixa o sabor do Onigiri ainda mais especial. Foto: Alice Wiegand / commons.wikimedia.org
Você pode, ainda, obter outros alimentos orientais para incrementar o recheio do seu “lanchinho japonês”. As opções mais tradicionais encontradas no Brasil são o Umeboshi, que é uma ameixa salgada em conserva, a carne de porco seca e a conserva de gengibre.

Aliás, gengibre é algo que os japoneses adoram. Em quase todo restaurante que entramos, além da garrafa de água gratuita, tinha um pote de gengibre em conserva na mesa. E os japoneses comem como se fosse pipoca.

Japonês gosta tanto de gengibre que em quase todo restaurante tem uma caixinha da iguaria em conserva.
Outra coisa: no Japão as comidas não são excessivamente temperadas, nem as doces e muito menos as salgadas. Pelo que pude perceber o japonês prioriza a saúde e, por isso, evita usar produtos que realcem exageradamente o sabor.

Não provei nenhuma comida no Japão absurdamente salgada e também não comi nenhum doce de travar a garganta. O que não significa dizer que comida japonesa não tem gosto.

Em Nagoya, almoçando com o nosso querido amigo Suzuki. Melhor sushi da minha vida! E nas melhores companhias!
Pelo contrário: o sabor é incrível. E os japoneses primam pela sutileza das misturas. Eita povo que conquistou meu coração!

E foi também por isso que eu gostei de aprender a preparar esse ícone da culinária japonesa. Ingredientes comprados, comecemos então pelo começo: o arroz.

Arroz próprio para sushi. Dica da cozinheira Hana Etsuko. Foto: hanaetsuko.com
Para cozinhar o arroz você vai precisar de 500 gramas de arroz japonês para sushi de grão curto e de água para lavar e para cozinhar o arroz.

Comece lavando o grão. Pelo menos umas 4 vezes, até o cereal ficar transparente. Isso porque precisamos eliminar a maior quantidade de amigo possível do grão para deixá-lo ainda mais grudento depois de cozido.

Lave bem o seu arroz japonês até que o grão fique transparente.
Arroz lavado, é hora de cozinhar o grão. Se você pretende seguir a tradição japonesa, cozinhe o arroz de sushi usando apenas água. O arroz dos Onigiris que provei no Japão é assim mesmo: só tem sabor do grão.

Mas se você quiser dar um gostinho “a mais” no seu Onigiri você pode acrescentar vinagre e sal à água do cozimento do arroz.

Provando o Onigiri de Kawaguchiko durante nossa visita ao Lago Kawaguchi, no Japão.
Dica: se você quiser fazer o arroz só com água e depois mudar de ideia também não tem problema. É só regar o arroz já pronto e quente com uma misturinha de uma pitada de sal, 1 colher de chá de açúcar e 2 colheres de sopa de vinagre de arroz. Bem pouquinho, só pra dar uma incrementada no sabor.

Detalhe: em algumas lojas de Onigiri no Japão eu provei bolinhos mais temperados. E foi aí que eu descobri que os japoneses também usam um tal de Furikake para temperar o arroz.

O Furikake é uma especiaria bem fácil de encontrar nos mercadinhos japoneses. 
O Furikake nada mais é que uma misturinha de temperos secos, tipo o argentino Chimichurri, popular nas lojas de especiarias brasileiras. Mas vai por mim: o Furikake é totalmente dispensável. Sem falar que é tão bacana tentar fazer diferente, não é mesmo?

Eu recomendo: cozinhe sem sal, pelo menos uma vez na vida. Você pode se surpreender com o resultado. Eu adorei e por isso vou fazer igual aprendi com o Suzuki, o meu querido amigo de Nagoya.

Saudade enorme desse meu querido amigo japonês! Love you, Suzuki!
Para cozinhar o arroz de sushi você pode usar o método tradicional ou prepará-lo na panela elétrica. Eu sempre fico com a segunda opção, considerando qualquer tipo de grão. Lá em casa não abro mão da praticidade deste utensílio e recomendo usá-lo.

Mesmo porque, no Japão, é assim que todos cozinham o arroz.

A panela elétrica de fazer arroz é a queridinha dos lares e restaurantes japoneses.
Coloque, portanto, 500 ml de água filtrada e 500 gramas de arroz para sushi na panela elétrica, ligue-a e, em menos de 30 minutos, você terá um grudento arroz japonês.

Se você não tiver panela de arroz em casa, não se preocupe. Coloque a mesma quantidade (500 gramas) do arroz lavado e a mesma proporção de água filtrada (500 ml) numa panela comum e cozinhe semi tampada por aproximadamente 15 minutos.

Aqui em casa eu só faço arroz na máquina. É bem mais prático e quase impossível de dar errado.
Desligue o fogo, revolva o arroz e deixe-o na panela descansando por mais 10 minutos.

Te recomendo a não deixar o arroz esfriar muito para começar a moldá-lo. Sei que não é algo agradável queimar a mão manipulando arroz quente. Mas é mais fácil fazer as bolinhas com o grão ainda morno porque o arroz aquecido torna-se mais grudento.

Arroz japonês cozido ao estilo "unidos venceremos". Perfeito para o nosso Onigiri. Foto: The Rice Factory Honolulu.
E aí, outra dica: se a massa de arroz estiver grudando demais na sua mão, use a mesma técnica do sushi para enrolar o Onigiri.

Ao lado da panela de arroz, coloque um bowl ou uma tigela com um pouco água à temperatura ambiente (200 ml são suficientes) e uma pitada de sal para você ir molhando as mãos ao longo do processo. Vai te ajudar bastante!

Com muito cuidado, vá moldando o seu Onigiri com as mãos limpas e molhadas. Foto: omusubi-gonbei.com
Agora, se você não está a fim de enrolar arroz pelando e acha que vai gostar dessa brincadeira de fazer Onigiri, pode valer a pena comprar um utensílio para te ajudar a fechar o bolinho. O molde, normalmente feito de plástico, é barato.

Encontrei dele no site da Kampai Produtos Orientais, da Konbini e em algumas lojas que vendem pelo Mercado Livre e pelo AliExpress.

Molde para deixar o seu Onigiri ainda mais perfeito! Foto: konbini.com.br
Nessas lojas não têm formas bonitinhas, somente a triangular. Mas tudo bem, já que no Japão o Onigiri de três pontas é o mais famoso mesmo.

Com a base tudo fica mais fácil. Mas se você não quiser comprá-la, tem como fechar o seu bolinho à mão também. Te recomendo pegar o arroz e fazer primeiramente uma bolinha. Depois, como o polegar, abra um furo no meio dessa massinha.

Cuidado ao fazer o furo no Onigiri. Se for muito pequeno não vai ter recheio. e se for grande ele vai se desmanchar.
Coloque o recheio e depois tampe o buraco com mais arroz. Depois, cuidadosamente vá moldando as laterais dessa bolinha e achatando o centro até virar um triângulo.

Certamente o seu Onigiri terá mais arroz do que recheio e essa é a ideia desse lanchinho japonês. Aliás, como já disse, muitos japinhas preferem o Onigiri feito só de arroz. Com o bolinho de arroz moldado, envolva os Onigiris, ou parte deles, com a alga Nori e sirva em seguida.

A dupla arroz e Nori é, pra mim, uma saborosa combinação. Foto: MoonSoleil / commons.wikimedia.org
Assim, na hora de comer essa delícia, você não suja as mãos e ainda aproveita a combinação de sabor da dupla "arroz e alga", tão apreciada pelo povo japonês.

Pra finalizar, um último e não menos importante conselho: evite colocar no seu Onigiri recheios perecíveis se você não vai comê-los na mesma hora. Prefira receitas feitas com carnes secas ou defumadas.

Adorei essa receita de Onigiri com salmão defumado do site wildgreensandsardines.com
Para levá-los para o trabalho, escola ou passeios opte pelos recheios feitos com ingredientes que não estragam com facilidade e, ainda, assim, se preocupe em transportá-los da forma mais correta possível, evitando uma grande e longa exposição dos Onigiris ao calor.

Outro detalhe: a alga Nori, cortada em pedaços menores, não deve ser usada para embalar diretamente o seu lanchinho se ele não vai ser consumido imediatamente depois de feito. Isso porque, em contato com o arroz cozido (e úmido) as folhas da alga vão murchar.

Onigiri que comprei numa lojinha em Hakone, durante nossa visita ao maravilhoso Monte Fuji.
E a crocância da Nori é, pra mim, um dos pontos altos do Onigiri. Por isso, os japoneses fazem assim: enrolam os bolinhos no papel filme e, por cima desse plástico, colocam a alga. E embalam com mais uma proteção.

Para guardar os Onigiris, use a geladeira e armazene-os em recipientes fechados por até três dias da data de fabricação, ok?
Adorei esse Onigiri em homenagem ao Monte Fuji, outro grande símbolo da história japonesa. Foto: japantimes.co.jp
Ah, já ia me esquecendo. O Onigiri, normalmente, é encontrado sem muita firula, mas você pode enfeitá-lo com gergelim.  Ou fazê-lo em outros formatos.

Se for feito para colocar na merendeira das crianças, então, abuse da criatividade. Deixar o Onigiri mais "bonitinho" é uma forma de incentivar os pequenos a comerem esse tipo de refeição.

Achei essa forma de gatinho uma graça! Foto: j-fair.com
Na internet você encontra diversos moldes para Onigiri bem engraçadinhos. Recomendo investir na brincadeira. Assim você vai deixar a comida dos pequenos, além de saudável, divertida.


Foto: WordRidden / CreativeCommons / Flickr.


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