Diga não às bebidas açucaradas!

Por terça-feira, 16 de janeiro de 2018 , , , ,


Ando meio desatualizada desse universo da Sétima Arte e só ontem assisti ao belíssimo Capitão Fantástico! O filme rendeu à Matt Ross a merecida estatueta de melhor diretor na premiação de Cannes de 2016

Há quem diga que o longa é uma ode à utopia socialista, defendida pela "Nova Esquerda Americana". Nada contra quem pensa assim mas eu já o vejo de uma forma bem diferente.

Um filme que vale pela reflexão que provoca em quem o assiste. Recomendo! Foto: Capitain Fantastic/divulgação
Acredito ser uma crítica ao extremismo que hoje reina absoluto numa sociedade na qual a polarização só enfraquece o diálogo. Uma verdadeira homenagem ao chamado (e tão almejado) "caminho do meio".

Capitão Fantástico, pra mim, também é uma reflexão interessante sobre os dilemas da criação de filhos, presente na vida de todos os pais. E foi essa característica que fez dele o mote para essa postagem.

Capitão Fantástico te faz pensar sobre a melhor maneira de se educar uma criança. Foto: reprodução filme.
Não sou mãe, mas convivo bem de perto com pessoas que se dedicam à essa tarefa tão nobre de "formar" alguém. Sei que não é fácil. Sei que falar é simples e que viver o problema é outra história.

Mas quem se dispôs a criar outro ser humano tem que dar conta! Não tem desculpa. Gerou ou adotou alguém com essa consciência então faça acontecer! 

Uma criança é um ser pensante e deve ser tratada como tal. Essa é uma das lições de Capitão Fantástico.
E, se é para fazer, que seja da melhor forma possível! Eu inclusive já falei disso no Vida de Cozinheiro, num artigo sobre o Dia das Crianças.

Claro, não estou aqui, de forma alguma, referendando o filme ou colocando-o em um pedestal como se esse fosse o melhor "modelo de criação".

Deixar seu filho fazer o que quiser também não é a melhor solução. Dilemas de Capitão Fantástico são ótimas reflexões.
Mesmo porque não concordo com todas as ideias apresentadas pelo longa. Mas, pra mim, é inegável: Capitão Fantástico tem momentos geniais! Em especial uma passagem que tem tudo a ver com essa minha Vida de Cozinheiro.

No primeiro contato com a civilização eles param num banco e uma das filhas menores pergunta ao pai: "as pessoas estão doentes? Por que são tão gordas?".

Crianças se assustam com a obesidade das pessoas e as comparam com hipopótamos. Foto: Capitão Fantástico/reprodução.
A pergunta aparentemente ingênua é um verdadeiro "tapa na cara" dessa "moderna" sociedade de consumo! E a resposta, apesar de engraçada,  Afinal, que modernidade é essa que mais ajuda que atrapalha?

Alimentos ultraprocessados apresentados como sendo a solução dos seus problemas (de falta de tempo?), com uma roupagem descolada e tabela nutritiva irrisória.

Salgadinho industrializado não vale como lanche de criança! Foto: Pxhere.com
E se a materialização desse despropósito de consumir prioritariamente alimentos ultraprocessados se configurasse apenas em adultos gordos, ok.

Mas o problema é bem mais grave do que se imagina. Estamos admitindo como algo corriqueiro lidarmos com crianças gordas e doentes.


De acordo com um levantamento revelado pela Organização Mundial de Saúde, em outubro de 2017, o número de crianças e adolescentes obesos no mundo aumentou 10 vezes nos últimos 40 anos.

Um problema de saúde pública que até o norte-americano, produto dessa "nação fast food" (existe um filme de mesmo nome que também vale uma sessão pipoca) está se esforçando para reverter!

Nação Fast Food, uma ficção bem realista! Recomendo! Foto: Fast Food Nation/divulgação.
Pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Harvard constataram que crianças e adolescentes estão bebendo cada vez menos refrigerante e, consequentemente, menos açúcar.

Aqui no Brasil, infelizmente, a situação é bem outra. O último estudo do Ministério da Saúde sobre o tema, publicado em 2016, aponta que o refrigerante é um dos seis produtos mais consumidos pelos nossos jovens.

E os números são ainda mais graves quando analisamos o universo dos pequenos.

Açúcar que só atrapalha! Foto: Staff Sgt. JoAnn S. Makinano/United States Air Force/Commons.wikimedia.org
De acordo com a última Pesquisa Nacional de Saúde, realizada em 2015, 60,8% das crianças com menos de dois anos de idade comem biscoitos, bolachas e bolos e 32,3% tomam refrigerantes ou suco artificial.

A recomendação de pediatras e nutricionistas, no entanto, é a de que o açúcar só deve entrar na alimentação da criança depois dos 3 anos e, mesmo assim, com moderação.

Dê ao seu filho sempre suco da fruta! Foto: Senior Airman Mary O’Dell/U.S. Air Force/Commons.wikimedia.org
Claro, o milagre americano da diminuição no consumo de refrigerante (citado acima) não se deu por acaso.

Políticas públicas de exclusão do líquido no cardápio das escolas e taxação do refrigerante em algumas cidades foram os grandes responsáveis pelo feliz resultado.

Um brinde à exclusão dos refrigerantes no cardápio das escolas americanas! Foto: Southdaviskids.com
Medias que, aos poucos, vem sendo adotadas no Brasil. Em maio de 2017, o país foi o primeiro a se comprometer com a ONU a cumprir as metas da Década da Ação em Nutrição de combate à obesidade.

E esta mudança de hábitos alimentares também está sendo discutida em outras importantes esferas.

Deputado Fábio Ramalho, autor do Projeto de Lei sobre venda de refrigerantes. Foto: Ananda Pimentel/Agência Câmara
Não sei se você sabe, mas a CCJ da Câmara dos Deputados deu parecer favorável, em agosto de 2017, ao Projeto de Lei que proíbe a venda de refrigerantes em escolas de educação básica.

De autoria do deputado Fábio Ramalho (PMDB/MG), o PL 1755/2007 aguarda agora a votação na Câmara dos Deputados e o encaminhamento para a apreciação da proposta pelo Senado.

Sei que ainda existe um longo caminho a ser percorrido pelo PL 1755/2007. Mas já é um grande avanço na batalha em prol da alimentação saudável! Principalmente de nossas crianças e jovens!

Agora nas escolas, só suco! Foto: Pxhere.com/CreativeCommons.org
Em relação à um possível aumento do imposto sobre as bebidas açucaradas (refrigerantes e sucos artificiais), a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado está analisando o Projeto de Lei PLS 430/2016, do senador Jorge Viana (PT-AC).

A proposta estabelece uma taxação de 20% para refrigerantes e outras bebidas açucaradas e ainda prevê que o dinheiro arrecadado com o imposto seja direcionado ao Fundo Nacional de Saúde.

O senador Jorge Viana propõe aumento do imposto para bebidas açucaradas. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado.

O PLS 430/2016 está com a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal desde 12/12/17. Em 14/12/17, a presidente da comissão, senadora Gleisi Hoffmann designou como relator para a apreciação da matéria o senador Ricardo Ferraço.

Também já existe um Projeto de Lei tramitando na Câmara dos Deputados com o mesmo objetivo de instituir uma taxação para estas bebidas.

É o Projeto de Lei nº 7.314, de 2017, de autoria do deputado federal Sérgio Vidigal (PDT-RJ).

Deputado Sérgio Vidigal, autor de outro Projeto de Lei sobre taxação de bebidas. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados.
O tema, de tão importante, foi discutido em audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara em outubro de 2017.

Apesar dos esforços para a aprovação do aumento de tributos sobre bebidas açucaradas, o  governo brasileiro vem enfrentando uma forte resistência do setor.

Audiência da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados.
A Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas afirma, em matéria publicada no site da ABIR, que imposto não fabrica saúde.

Eu espero que nessa "briga de cachorro grande" vença o bom senso. E este, certamente, sempre aponta para uma vida mais saudável!

Você não precisa beber isso! Foto: Marlith/Commons.wikimedia.org
Sem falar que uma pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha em setembro de 2017 revelou que os brasileiros tomariam menos refrigerante se a bebida fosse mais cara.

A Organização Mundial da Saúde também já se posicionou favorável à medida.

Cárie é um problema de saúde pública! Foto: Staff Sgt. Naomi Shipley/U.S. Air Force/CreativeCommons.org
De acordo com a OMS tributar bebidas açucaradas pode ajudar a diminuir o consumo desses líquidos e, por sua vez, reduzir problemas graves como o sobrepeso, a diabetes tipo 2 e as cáries dentárias.

Aliás, ainda segundo a Organização Mundial da Saúde, as crianças precisam aprender desde cedo o que é "comida de verdade"!


Comida de verdade, o segredo da vida saudável! Foto: Senior Airman Shane Phipps/U.S. Air Force/CreativeCommons.org
Porque conhecimento nunca é demais, não é mesmo? E é isto que Capitão Fantástico, o filme que motivou este post,  tanto discute: informação. 

E dentro de uma cozinha, seja esta caseira ou profissional (e principalmente à mesa) esta consciência é muito importante! Bora se informar, então?

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