Comprando arroz japonês no Brasil!

Por sexta-feira, 22 de junho de 2018 , , , , , , , ,

Arroz japonês não é tudo igual. Foto: Greatbritishchefs.com
Outro dia eu contei aqui sobre como o Onigiri é importante para a gastronomia japonesa. Eu realmente achei esse triângulo de arroz uma das comidas mais saborosas que provei na "Terra do Sol Nascente".

O popular lanchinho pode ser encontrado em qualquer loja de conveniência japonesa, mas aqui no Brasil eu nunca vi dele não. Por isso pedi ao seu Suzuki, o meu querido amigo Nihon, a receita dessa delícia.

No metrô de Nagoya, com o meu querido amigo Suzuki! Saudade demais desse japonês!!!
Comecemos pelo arroz. Se você leu a matéria do Onigiri sabe que essa delícia é feita com o tradicional arroz japonês branco, chamado pelos japoneses de Uruchi mai

O nome parece complicado mas o "Uruchi mai" você conhece bem. É o arroz branco também usado para fazer sushi. Ainda assim você deve ficar atento porque Uruchi mai não é tudo igual, ok? Existem vários tipos de arroz branco japonês, como conta Fabrício Fujikawa, do site "Cozinha Japonesa".

O arroz japonês também é classificado de acordo com o tipo de grão. Foto: Cozinhajaponesa.com.br
Para fazermos o Onigiri (e também o sushi) usamos o grão branco, curto e arredondado. O problema é que, apesar da popularidade do sushi em Terras Tupiniquins, encontrar arroz japonês em algumas cidades brasileiras pode ser uma odisseia.

E é por isso que escrevi esse post já que não dá para adaptar a receita do Suzuki usando arroz agulhinha empapado. Detalhe: tem gente que diz que dá e que fica ótimo. Eu testei e não gostei. Vira uma massa de arroz com uma textura muito estranha. Melhor mesmo é comprar o arroz de sushi.

Sei que pode não ser fácil, mas tente comprar arroz de sushi para fazer o seu Onigiri.
Encontrei no mercado algumas marcas de arroz japonês (Uruchi mai) de grão curto e arredondado de algumas variedades de sementes. Os "Uruchi mai" comercializados no nosso país, normalmente, são dos tipos Koshihikari e Sasanishiki. As empresas nacionais mais conhecidas que possuem as variedades Sasanishiki e Koshihikari são a "Tio João" e  a "Prato Fino", respectivamente.

Outras três marcas de arroz japonês para sushi fáceis de encontrar, conhecidas dos sushimans e que apresentam ótimo custo/benefício são a Yanagi (tipo Koshihikari), da Yanagi e as duas da Azuma Kinin: a Miroku mai (tipo Akitakomachi) e a Minami mai (tipo Koshihikari).

Esse arroz para sushi é um dos mais bem recomendados por quem entende de comida japonesa. Foto: Yanagi / divulgação.
A Camil também distribui dois produtos mais baratinhos, originários da semente Hayate: o Momiji e o Guin. Não vou dizer que esses dois últimos são ruins. Mas, de acordo com os especialistas em comida japonesa, a qualidade dos arroz Yanagi, Miroku mai e Minami mai é superior.

Descobri também, pesquisando na internet, outras distribuidoras de arroz japonês que chamaram a minha atenção. Uma é Hibari, responsável pelo arroz Hibari Koshihikari Premium. A outra é a NihonFoods, de São Paulo, que possui a linha de arroz Aizu (tipo Koshihikari). Não provei ainda nenhum dos dois, mas achei as propagandas dos produtos interessantes.

Bairro da Liberdade, São Paulo, Brasil. Foto: Mercearia e Bomboniere Towa / divulgação.
Aliás, para quem mora na capital paulista encontrar ingredientes japoneses é moleza, né? Se você ainda não sabia, a maior comunidade japonesa fora do Japão esta lá, no bairro Liberdade. E as lojas, vendendo todo o tipo de acessório japonês, são o que mais atraem os turistas.

Difícil passar por essa Vida de Cozinheiro sem conhecer o lugar. Eu adorei e te aconselho a visitar, ainda que você não tenha intenção de compra, os principais estabelecimentos da região: "Empório Azuki", "Casa Bueno", "Tenman-Ya", "Himeya" e a queridinha dos brasileiros, a famosa "Daiso".

As luminárias deixam as ruas do bairro da Liberdade ainda mais belas! Foto: Mercearia e Bomboniere Towa / divulgação.
Afinal, essas lojas não oferecem a opção de e-commerce. Você só poderá comprar os produtos delas se tiver lá no Liberdade. Então, se você não for paulistano, ou não tiver facilidade de dar um pulinho em São Paulo, vai ter que se contentar com os poucos sites que vendem esses produtos online.

Eu nunca comprei nada nesses comércios virtuais mas, pelo que pesquisei, existem dois que já foram avaliadas no "ReclameAqui". Nada com muita expressividade, mas suficiente pra perceber que "existem e funcionam".

Em se tratando de produtos japoneses, comprar pela internet pode ser uma boa opção. Foto: Kampai / divulgação.
São os sites "Konbini" e "Asia Shop". Outra loja, que não existe no "ReclameAqui", mas que vende através da Americanas.com é a Kampai Produtos Orientais. Se você resolver arriscar e comprar nessas lojas me conte como foi, tá?

Existe ainda um atacadista de produtos orientais que tem loja física no bairro da Liberdade e que também vende pela internet. É a Mercearia e Bomboniere Towa. É um comércio tradicional e, provavelmente, comprar através do site deles é seguro.

Fachada da Mercearia Towa no Bairro da Liberdade, na capital paulista. Foto: Dimsumcafe.wordpress.com
O problema é que, pelo menos pra mim, não é um bom negócio pagar por uma caixa de molho de ostra contendo 12 frascos de 480 ml. Mas pode ser uma boa ideia você comprar no atacado se tiver muitos amigos interessados em dividir os produtos da remessa pode ser interessante comprar lá.

Se você não é tão moderno e prefere a compra física (eu sou assim e o maridão diz que eu sou uma velha) as melhores opções são as mercearias japonesas espalhadas pelo país.

A Mercearia e Frutaria Mikami funciona há 50 anos em Brasília, no Distrito Federal. Foto: Mikami / divulgação.
Normalmente nas cidades maiores é comum ter um desses tradicionais estabelecimentos, principalmente a capital paulista. Afinal, o primeiro grupo de imigrantes japonese desembarcou no Porto de Santos em 18 de junho de 1908. Esses 781 japoneses cruzaram o Pacífico abordo do famoso navio Kasato Maru, numa viagem de 50 dias.

Partida dos imigrantes japoneses em Kobi, no Japão. Foto: Museu da Imigração / APESP.
Um movimento que se seguiu nos próximos 70 anos, trazendo para o Brasil cerca de 200 mil pessoas. Número que em terras tupiniquins cresceu de maneira exponencial. Atualmente são aproximadamente 1 milhão de nikkeis vivem do país, habitando praticamente todas as regiões do território nacional.

Grupo de imigrantes que viajou a bordo do Kasato Maru. Foto: Museu da Imigração / APESP.
Por isso, comércio japonês é o que não falta no Brasil. Aqui na capital federal a mercearia japonesa que todo mundo conhece e indica é a "Mikami", fundada em Taguatinga, uma importante cidade do Distrito Federal, em 1968.

A Mercearia e Frutaria Mikami funcionou em Taguá, como é carinhosamente conhecida essa região administrativa aqui no DF, até 1971. E, há 47 anos, faz parte da rotina de compras dos moradores da Asa Sul, no Plano Piloto, em Brasília.

Fachada da Mercearia e Frutaria Mikami, localizada na Asa Sul, em Brasília. Foto: Mikami / divulgação.
Já em Belo Horizonte, minha terrinha natal, a mais famosa é a "Mercearia Tokyo", que fica bem perto do Mercado Central de BH. A loja é apaixonante! Praticamente todos os utensílios e louças japonesas que tenho é de lá.

Os empórios japoneses de outras localidades eu não conheço. Mas encontrei no site do Fabrício Fujikawa, do "Cozinha Japonesa" uma lista das principais lojas físicas que vendem produtos japoneses em diversas cidades brasileiras. Fica a dica.

Fachada da Mercearia Tokyo, localizada no centro da capital mineira. Foto: Maisfeminice.com.br
Detalhe: pesquisei tanto para comprar o arroz de sushi para fazer o Onigiri que vou deixar para dar a receita do bolinho de arroz japonês na próxima matéria, ok? Aguarde. Semana que vem tem mais!

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