Tsukiji, o Mercado de Peixes de Tóquio!

Por quarta-feira, 27 de dezembro de 2017 , , , ,

Visitando o Tsukiji Fish Market, em Tóquio. O maior mercado de peixes do mundo!
Quando compramos nossa passagem do Japão uma coisa já estava certa: nós iríamos conhecer o Mercado de Peixes de Tóquio. 

O lugar não é só um dos pontos turísticos mais visitados da capital japonesa. O Tsukiji é o maior mercado atacadista de peixes e frutos do mar do planeta! E um dos mais visualmente atrativos também! 

É tudo tão colorido que só de ver já dá vontade de provar!
Produtos vivos, congelados ou desidratados são, no mínimo, curiosos. Nada mais normal, portanto, que querer ter essa visita registrada na minha Vida de Cozinheiro!

E o lugar é realmente gigante e fica bem no centro de Tóquio. Não encontrei números oficiais em relação ao tamanho da área ocupada pelo mercado mas arrisco dizer que é maior que o Maracanã! Ou seja, não tem como você passar batido por ele.

Do alto dá pra perceber melhor toda a grandiosidade do Tsukiji. Foto: Creative Commons/Wikimedia.org
Lá no Tsukiji Fish Market se negocia diariamente por volta de 2 mil tonelada de pescado, um mercado que movimenta, em menos de 12 horas, quase 2 bilhões de ienes. Tanto que o trânsito de caminhões e carrinhos no local é enorme. 

Várias vezes o maridão teve que ficar me puxando para que eu não fosse atropelada. Aliás essa minha mania de ver o mundo pelos olhos da GoPro só não me causou nenhum ainda graças a Deus e ao Thiago, que estão sempre comigo! 

Do lado de fora dos galpões do Tsukiji Fish Market o trânsito de caminhões e vans é intenso.
Falando nisso, já deixo registrada aqui a minha “indignação”. Vários estabelecimentos tem uma plaquinha indicando “no photo”.

Eu realmente não entendi o motivo de não poder filmar os fotografar os produtos já que lá é um ponto turístico. Vai entender. Como a gente brincou, durante nossos 30 dias de andanças pela “Terra do Sol Nascente”, coisa de “japonais”, né Thiago Inter?

Felizes e quentinhos (de casacos Fiero) durante nossas andanças pelo Japão!
Bem, com ou sem motivo respeitamos a decisão dos comerciantes. Ainda assim conseguimos fazer muitos e belos registros! Principalmente na área externa do Tsukiji Fish Market!

Aliás, essa é a grande diferença do Tsukiji Fish Market em relação a outros mercados que já conheci nessa vida: o espaço externo é bem mais interessante que o interno. Lá fora, inclusive, os vendedores são bem mais simpáticos!

Japonês é um povo tímido mas também muito educado e simpático!
E as inúmeras lojinhas, localizadas nas ruas que contornam os galpões atacadistas, vendem de tudo! De peixes a souvenires! De condimentos a utensílios domésticos. Eu fiquei doida para comprar as cerâmicas!

Mas me contive. A viagem já é, por si só, desgastante. Imagina ficar preocupada com os frágeis bules na mochila? Prefiro comprar aqui no Brasil. Mesmo porque, tirando raríssimas exceções, tudo o que eu vi vendendo ali vinha da China.

As cerâmicas japonesas são maravilhosas! Mas o preço não vale o estresse de ter que carregá-las até o Brasil...
Nada muito diferente do que encontro na badalada rua da 25 de Março ou do bairro Liberdade, em São Paulo. Até o preço é parecido. Fiquei balançada com a beleza e precisão de algumas facas, mas não vi vantagem alguma em comprá-las.

Todas lindas e caras. Nenhuma por menos de 100 dólares americanos. Sem falar que parar de loja em loja acaba tomando um tempo enorme!

E as facas, então? Fiquei doida pra comprar uma de cada! Mas, pra mim, o que vale mesmo trazer na mala são experiências!
Preferi me concentrar no que me interessava de fato: a deliciosa comida de rua!  Aliás isso é que o que, na minha opinião, faz do Tsukiji um mercado tão especial!

Sei que não é novidade esse tipo de estabelecimento vender comida de rua, mas é que lá no Tsukiji é um exagero bom de iguarias fenomenais!

Comida de rua é a melhor atração do Tsukiji Fish Market!
O que mais deu vontade de comer foi uma ostra gigante, vendida logo no início da feira, grelhada na chapa na frente do freguês.

Confesso que quase comprei a linda conchinha, mas o Thiago, meu maridão, achou melhor eu deixar para uma próxima oportunidade.

Fiquei morrendo de vontade de provar essas ostras... Mas o maridão não deixou não... Rsrs...
Tudo porque voltaríamos para o Brasil no dia seguinte e ele ficou com receio da ostra provocar uma reação indesejada no meu organismo.

Realmente, enfrentar dois voos cansativos (Tóquio-Canadá-São Paulo) com dor de barriga ninguém merece, né? Aí combinei com ele que iríamos seguir até o fim da rua.

No meio do caminho até encontrei a ostra crua. Mas o que queria mesmo era experimentar a conchinha grelhada.
Se na volta ainda tivessem ostras na chapa nós compraríamos pelo menos uma para experimentar. E assim fizemos.

O resultado? Quinze minutos depois já não tinha mais nenhuma ostra na chapa! Aceitei o fato como um sinal divino e parti para a próxima barraca. Ah, não provei, mas fiz o registro, tirei a foto e fiz do episódio mais uma história para contar.

Ruas e lojas interessantes no entorno do Tsukiji não faltam! São uns 5 quarteirões recheados da mais alta gastronomia!
Mudei de rua e de foco! A fome estava aumentando e decidi que sair dali sem comer eu não ia de jeito nenhum! Então fui atrás de um espetinho grelhado.

Afinal, só de não ser cru já diminui bastante o risco de uma infecção ou de uma dor de barriga, né? Acabei provando "Lidaro" no palito.

Como não se encantar por esse espetinho de polvo bebê? A iguaria é uma das mais tradicionais do Tsukiji Fish Market!
"Lidaro" ou "Komochidako" ou, ainda, "Ishidako" é o nome em japonês do pequeno polvo encontrado ao sul da ilha de Hokkaido. Essa iguaria é a menor espécie de polvo pescada do Japão e, sem dúvida, chama a atenção de quem passa pela banca.

Mas não são só os espetinhos que atraem tantos turistas. Dentro do mercado, nas docas que rodeiam o galpão principal, muitos restaurantes servindo o sushi "mais fresco da Terra" estão sempre lotados.

Os restaurantes do mercado costumam ser bem pequenos! Portinhas onde só cabem um balcão e poucos bancos.
São portinhas, do tamanho da cozinha da minha casa, onde você pode provar, as famosas sobas ou noodles, que são sopas com macarrão japonês. Ou os tempuras, que são as frituras de legumes ou frutos do mar.

Ou a melhor pedida de todas: o popular “Toro”, um atum mais gorduroso, que praticamente se desmancha na boca. Tudo servido de forma simples, num ambiente pouco refinado e impecavelmente limpo.

Mercado super limpo. E fila na porta dos restaurantes mais famosos!
Aliás, limpeza foi outro quesito que chamou a minha atenção. É um mercado de peixes e frutos do mar que tão tem aquele cheiro rançoso de carne velha.

O único inconveniente é que os estabelecimentos mais famosos costumam ter uma fila quilométrica na porta, como diria minha mãe. E para comer neles você pode ter que esperar até 5 horas. É o caso do Sushi Dai.

A porta do Sushi Dai está sempre assim: lotada!
Eu até gravei na frente deles, mas não animamos esperar não. Outro restaurante famoso pelas filas é o Daiwa-Zushi. Existe até uma “rixa” entre os dois.

Eu não provei a comida de nenhum deles e por isso não posso dar a minha opinião. Se você, caro cozinheiro, um dia animar ir almoçar nas duas casas me escreva contando o que achou, ok?

Fila na porta do Daiwa Sushi, o concorrente do Sushi Dai!
Além dos restaurantes, o Tsukiji é famoso pela peculiaridade de manter, diariamente, o tradicional leilão de peixes. Não tivemos ânimo para madrugar e presenciar o espetáculo.

Isso porque para conseguir assistir ao leilão você tem que chegar ao mercado por volta das 3h da manhã, já que para acompanhar o disputadíssimo leilão são distribuídas apenas 120 senhas por dia e por ordem de chegada.

Peixes congelados expostos para o famoso leilão. Foto: Humanoide One/Creative Commons/Wikimedia.org
Detalhe: nem adianta mandar uma pessoa para garantir o lugar e depois chegar o grupo inteiro, ok? Japonês não aceita esse tipo de “jeitinho” não. O que é o correto, né?

Então eu pensei: chegar 3h da manhã para tentar pegar uma senha e, se conseguir, esperar mais duas horas para assistir ao "espetáculo" é algo que, definitivamente, não estava disposta a fazer. Mas pra quem gosta, deve ser um prato cheio. E uma atividade gratuita.

Compradores analisando os pescados oferecidos no leilão. Foto: Humanoide One/Creative Commons/Wikimedia.org
Nós consideramos que era muito sacrifício só pra ver um peixe gigante congelado sendo vendido por milhares de dólares. Isso, você não entendeu errado e é por isso que esse leilão é tão visitado: as cifras negociadas lá são surreais.

Em 2013, um atum azul de 222 quilos bateu record: foi vendido por 653 mil dólares americanos, aproximadamente 1,5 milhões de reais. O valor foi tão alto que a negociação entrou, em junho de 2017, para o Guinness World Records como o atum mais caro vendido em um leilão.

Os peixes maiores são tão valorizados que até as cabeça gigantes viram peça de decoração.
Já a venda dos pescados vivos ou congelados para nós, simples mortais, é bem menos concorrida e só começa a partir das 9 da manhã.

Lembrando que as lojas, dentro e fora do mercado, costumam fechar cedo. Algumas antes do meio-dia. E muitos restaurantes baixam as portas antes das 3 da tarde, ok?

Lula fresca, uma das delícias encontradas no Tsukiji Fish Market!
Outra coisa, o Tsukiji não abre aos domingos, nos feriados e em algumas quartas-feiras. O ideal mesmo é consultar o site do Tsukiji Fish Market antes de programar sua visita.

E uma última dica: se você tiver muito a fim de assistir ao leilão aproveite para conhecer o mercado no dia seguinte ao seu desembarque em Tóquio.

Feliz e bem aquecida (de @InvernoFiero, sempre!) no maior mercado de peixes do planeta! 
Provavelmente, por conta do jet lag você vai acordar de madrugada e não vai conseguir dormir mais. Aí é só pular da cama e "partiu Tsukiji Fish Market"!

LEIA TAMBÉM:
. Tóquio, comendo bem e pagando pouco!
. Saquê, a tradicional bebida japonesa!
. Gastronomia no Museu de Tóquio!
---------------------------------------------------------------------------------------------------------
Gostou desta postagem? Então siga o Vida de Cozinheiro nas Redes Sociais e ajude a divulgar o nosso trabalho compartilhando este conteúdo.


Toda nossa obra é oferecida gratuitamente aos leitores.

Você também pode gostar!

0 comentários