Geleia de Jambo-Amarelo!

Por segunda-feira, 16 de outubro de 2017 , ,

Geleia de jambo-amarelo: delícia com gosto de rosas!
Geleia é sempre uma ótima opção quando você tem muita fruta dando sopa na sua geladeira. Esse foi o caso do jambo-amarelo. 

Não sei se você leu o post anterior, mas fui ao sítio do meu cunhado e trouxe muitas bolinhas amarelas pra casa. Aí pensei: por que não fazer uma pastinha pra passar no pão?

Se bem que lá na Índia dizem que essa frutinha rende uma ótima aguardente e eu fiquei curiosa para experimentar! 

Jambo-amarelo: uma frutinha do Cerrado brasileiro que você devia conhecer!
Mas deu preguiça de deixar o jambo-amarelo fermentando. Quem sabe no meu Próximo Embarque eu não provo a original?

Aprendi também, lendo na internet, que esses belos frutinhos podem render uma deliciosa compota: só tirar as folhas do Jambo, lavá-los em água fervente e coloca-los para cozinhar em calda de açúcar.

E até deu vontade de fazer, mas pensei: compota com gosto de perfume. Achei que não iria prestar! Aí deixei quieto.

Não sou muito fã de pão doce, mas a combinação desse carboidrato com a geleia de jambo-amarelo é bem interessante!
Mesmo porque a geleia aqui de casa estava no fim, então essa era, no momento, a melhor opção. E fazer geleia de jambo é muito fácil.

Comece lavando os jambos. No meu caso passei só água mesmo. Não precisei sanitizá-los porque foram plantados e colhidos pelo Luiz, marido da minha cunhada.

Sanitizar os alimentos é fundamental, principalmente se você desconhece a origem dos produtos.
Sei que naquelas frutinhas agrotóxicos e impurezas nem passaram perto. Mas, se você tiver alguma dúvida da procedência de uma fruta lembre-se sempre de sanitizá-la, ok?

Esse procedimento de limpeza é, inclusive, bem simples. Jambos lavados é hora de abri-los e retirar as sementes.

Como disse no post anterior sobre o jambo ter gosto de perfume, você pode aproveitar as delicadas bolinhas para fazer um arranjo de mesa. Eu adoro esses enfeites mais rústicos.

Adorei essas sementes do jambo-amarelo. Arranjo simples e bem charmoso!
Depois disso é só jogá-los no processador e triturá-los. Se você não tiver o equipamento não tem problema nenhum.

É só usar a boa e velha faca do Chef para picar tudo em pedaços bem pequenos. Mas, confesso, que o processador é uma mão na roda! E olha que o meu é o mini!

Detalhe: preferi usar o processador em vez do liquidificador (batendo a fruta com um pouco de água) porque queria uma geleia com pedaços de fruta. Achei que ficaria mais interessante.

Não colhi muito jambo-amarelo já que aqui em casa somos só eu e o maridão. Evitar o desperdício é fundamental!
Aqui em casa faço quase tudo com a ajuda do processador. Economizo um tempo precioso.
Com os jambos triturados é hora de colocá-los na panela com um pouco de água filtrada e levá-los ao fogo para cozinhá-los. E essa quantidade de água vai depender da quantidade de jambo. A proporção é de 200 ml de água para cada quilo de fruta.

Não é para deixar os jambos "nadando no líquido", ok? O que queremos é apenas que os jambos cozinhem sem grudar no fundo da panela. Por isso a água. Se você tivesse fazendo geleia de uma fruta que contem muita água provavelmente não precisaria acrescentar a água.

Deixe a mistura em fogo baixo por, aproximadamente, 15 minutos até você sentir que a consistência da fruta mudou.

Com os jambos cozidos é o momento de acrescentar o açúcar e umas gotas de limão. O limão é importante porque potencializa o processo de estruturação da geleia. O papo é um pouco complexo mas se você gosta de química vai adorar!

Cozinhe os jambos-amarelos usando apenas água filtrada.
Explico. Geleia nada mais é que a cocção de uma fruta (ou outro vegetal), em meio ácido, com água e açúcar até que se obtenha uma consistência gelatinosa da preparação.

O ingrediente responsável por esse processo de gelificação da nossa receita é chamado de pectina. Toda fruta (e todos os vegetais) contém essa substância, sendo que quanto mais ácida a fruta maior será o seu teor de pectina.

Mas esse polissacarídeo (que juntamente com a celulose e hemicelulose compõe a estrutura das paredes celulares dos vegetais) só forma gel quando as concentrações de ácido e açúcar no meio estão nas quantidades ideais (pH entre 2.7 e 3.6).

Então, quando a fruta é pouco ácida deve-se “criar um meio ácido” ao preparo para dar o “start” nesse processo. Foi o que fiz pingando umas gotas de limão no meu jambo-amarelo. Coloquei apenas um pouquinho porque a proporção ideal é de 30 ml de sumo (ou duas colheres de sopa) para cada quilo de fruta.

Jambo-amarelo, água, açúcar e limão.
Já para as frutas que apresentam pouca concentração de pectina (encontrei um ótimo artigo do CETEC de Minas Gerais sobre o assunto) existe a opção de se colocar também na receita a pectina comercial ou acrescentar uma fruta que tenha alto teor de pectina, como a maçã.

Com relação ao açúcar, a quantidade do produto está intimamente ligada à quantidade de fruta e ao tipo da fruta. Normalmente, a proporção é de 1 quilo de fruta para 1/2 quilo de açúcar. Eu, particularmente, considero açúcar demais e nunca coloco tanto assim.

O que sempre faço é ir colocando o produto aos poucos. Coloco duas colheres de sopa e vejo como a mistura reage. Se precisar, acrescento mais. a quantidade de açúcar no final acaba sendo de 250 gramas para cada quilo de fruta.

Dica: quanto menos açúcar você usar na preparação menos tempo a sua geleia vai durar na geladeira, ok? Isso porque o açúcar também tem essa função de conservante.

Além do açúcar eu resolvi colocar o cardamomo. Sei que o jambo-amarelo já tem um sabor bem peculiar, mas eu adoro acrescentar sementes ou ervas aromáticas em tudo o que faço!

Cardamomo: uma sementinha que não falta aqui na minha cozinha!
Se você não sabe, cardamomo é um condimento originalmente indiano, da família do gengibre, usado na fabricação do curry em pó. Pode não ser muito famoso em terras brasileiras, mas dá um toque todo especial às preparações. Minha água saborizada fica com um gosto incrível por conta do cardamomo!

Ah, o ponto da geleia não é difícil de descobrir, principalmente se você está fazendo uma pastinha lisa. Ela tem que escorrer na colher com uma certa dificuldade. 

Lembrando que depois de fria a preparação vai encorpar e endurecer um pouco mais. Então, não o líquido secar completamente a ponto de virar um grude. Senão depois que esfriar ninguém vai conseguir espalhar a geleia no pão.

Usando o meu amassador de legumes para tentar deixar o jambo-amarelo com a consistência mais pastosa.
Eu sou teimosa e não fiz do jeito certo. O ideal seria já processar a fruta no liquidificador ou no mixer para eliminar todos os pedacinhos de fruta, fazendo uma papinha. Mas achei que a geleia com pedaços de jambo ficaria mais interessante. Me enganei.

No meio do processo até tentei "roubar no jogo" usando esse ovinho da foto acima (que é um amassador de legumes) para tentar deixar a frutinha mais pastosa. Não deu muito certo. A preparação ficou estranha. Não tinha "cara" de geleia.

Aí resolvi ouvir o conselho que minha sogra já tinha me dado lá no começo da receita e que eu tinha desconsiderado: bater a pasta de jambo no liquidificador. Esperei a pasta esfriar e, como era pouca geleia, optei por usar o bom e velho mixer.

A geleia de jambo-amarelo foi a estrela do meu lanche da tarde!
Assim não desperdicei produto porque pude bater a geleia dentro da panela e ainda evitei a fadiga de ter que lavar o copo do liquidificador (eeee!!!).

E minha geleia de jambo-amarelo ficou assim: escura por conta do açúcar mascavo, lisinha com a ajuda do mixer e com gosto de perfume (rsrs...)! Adorei!

Espero ter conseguido passar bem o recado. Quem acompanha muito essa minha Vida de Cozinheiro sabe que eu não sou uma expert em doces, né?

Se tiver faltado algo, deixo ainda registrado aqui um artigo bem legal que li lá no site da “Essência Studio”, a escola de confeitaria da Joyce Galvão. Encontrei o portal deles por acaso e recomendo a leitura, principalmente para os amantes dessa arte!

LEIA TAMBÉM:
. Jambo, a fruta com gosto de perfume!
. Enfiando o pé na Jaca!
. Boas práticas para a vida!
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