Jambo, a fruta com gosto de perfume!

Por quinta-feira, 28 de setembro de 2017 ,

Jambo-amarelo, a deliciosa frutinha com sabor de rosas...
Nunca tinha ouvido falar de jambo, quanto mais visto essa deliciosa frutinha. Aí, outro dia, fui a um sítio com a Ju, minha cunhada, e o Luiz, marido dela. Eles me apresentaram ao jambeiro

A majestosa árvore lá da chácara é bem alta e chamou minha atenção pelas belas e numerosas frutinhas amarelas. Mais que depressa, quis prová-las e confesso que me surpreendi bastante com o gosto! 

Só o Luiz mesmo: subiu no Jambeiro para pegar umas frutinhas pra mim!
Eu achei que ia comer algo muito azedo. Mas jambo não é nada disso. Pelo contrário! Essa graciosa frutinha não é amarga. Tem gosto de perfume que lembra infância!

Estranho? Explico: a sensação é a de estar bebendo o Leite de Rosas que ficava em cima da penteadeira da vovó Neném! Sim, eu já provei essa colônia (rsrs...).

Se você nasceu nos anos 80, certamente vai lembrar desse Leite de Rosas no banheiro da sua avó!
E o mais engraçado dessa frutinha de origem indiana nem é isso: jambo tem textura de esponja, de algo cristalizado. Essa consistência porosa parece, inclusive, com a da maçã. 

Algo bem diferente que, provavelmente, deixará impregnado na sua memória um gosto de perfume de rosas e textura daquela bucha que vinha de brinde no sabonete Lux.

Jambo: textura que lembra bucha... Rsrs...
Não sei se assim me fiz explicar ou se te deixei ainda mais perdido, mas foi exatamente isso que eu senti ao morder o tal jambo-amarelo. E mais um detalhe: do jambo come-se a casca, ok? Só a semente que não deve ser ingerida. 

Lembrando que se você é criativo e gosta de um enfeite inusitado, nem precisa descartá-las. Achei as bolinhas tão fofas que elas viraram acessórios para um belo arranjo de mesa! 

A semente do Jambo não é comestível mas pode render um belo arranjo!
E por falar em semente, descobri que a espécie pode ser cultivada nas regiões de clima quente e úmido, abrangendo, portanto, quase todo o Brasil. As únicas exigências são que o solo seja permeável e profundo. 

E cada árvore pode produzir jambo por até 20 anos, dando frutos de janeiro a maio, sendo o jambo- branco o mais raro.

Jambo-Branco, o mais raro da espécie. Foto: frucafe.com.br
E existem ainda o jambo-vermelho e o jambo-rosa. Não sei se os frutos das outras cores também têm o mesmo gosto do amarelo mas, pelo que pesquisei, parece que sim. 

Lembrando que o jambo é composto por vitamina C, vitaminas do Complexo B, antioxidantes, flavonóides e taninos

De acordo com os especialistas (encontrei uma tese de mestrado da USP bem bacana), essas substâncias ajudam a neutralizar a ação dos temidos radicais livres, atuam diretamente na prevenção do envelhecimento precoce e contribuem para a formação do colágeno em nosso organismo. 


Jambo: saboroso e com propriedades medicinais.
O jambo pode ser consumido ao natural ou em conserva e, de acordo com a sabedoria popular, dele pode-se aproveitar, além do fruto, as flores, as folhas e as raízes.

Não sou médica e nem doida pra te recomendar chá de qualquer planta, mas os antigos dizem que as flores tem efeito laxativo, as cascas podem ser usadas no preparo de pomada para queimaduras e as raízes auxiliam da diminuição do açúcar no sangue, sendo aliadas de quem sofre de diabetes. 

Claro, isso é o que o povo diz. Quem sou eu pra falar se está certo ou errado. O que sei, porque ouvi a vida inteira da minha querida vovó Neném, é que tudo em excesso faz mal.


Jambo-rosa: exuberância que encanta! Foto: Edilson Giacon / cipreste.com.br
Aprendi também com meu compadre Edgar, lá de Quartel Geral, uma pequena cidade do centro-oeste mineiro, que a planta que cura é a mesma que mata. Tudo vai depender da parte usada na mistura e da dosagem.

Então fica a dica! Aliás, essa é, inclusive, uma dica pra cozinha e pra vida. Tudo, absolutamente tudo, em exagero não é bom!

E já que estamos falando em experiências sensoriais, visualmente, acho que o jambo parece muito com a gabiroba!

Gabiroba, a frutinha que me lembra o jambo! Foto: Festival Cata Guavira / divulgação
O arbusto de fruto arredondado e cor verde-amarelada, típico do cerrado brasileiro, resiste facilmente a longos períodos de estiagem.

A gabiroba tem a polpa doce e suculenta, mas a casca é bem amarga. Aqui no Planalto Central é mais conhecida por “goiabinha”.

lá em Bonito, no Mato Grosso do Sul, a fruta é chamada de Guavira e de tão famosa tem até um evento dedicado à ela: o Cata Guavira!

Festival Cata Guavira, em Bonito, no Mato Grosso do Sul. Foto: facebook.com/cataguavira
Detalhe: o festival reúne, anualmente, grandes Chefs locais e é uma ótima oportunidade pra você, caro cozinheiro, conhecer uma das regiões mais belas do nosso país! Recomendo. O Mato Grosso do Sul é lindo demais!

Ah, bem como o jambo, a gabiroba tem sabor adocicado e pode ser consumida ao natural. Mas o uso mais popular dela é para se fazer licor.

As folhas da gabiroba também são usadas em infusões e, de acordo com o povo da roça, ajuda a reduzir o colesterol ruim (LDH) e aumentar o bom (HDL), contribuindo para a prevenção de doenças circulatórias. E aí, outra dica: conhecer os alimentos "amigos do colesterol" é muito importante, ok?

Gabiroba no pé. Parece ou não parece com o jambo? Foto: sitiodamata.com.br
Outra fruta que lembra bem o jambo e que é bastante popular aqui em Brasília é a cagaita. Mas a semelhança é só na aparência, viu?

Apesar de ser pequeno e de ter a casca amarela, o fruto da cagaiteira tem a polpa bem ácida e suculenta, podendo ter até quatro sementes no seu interior.

O gosto é totalmente diferente do jambo e da gabiroba, apesar de se parecer com as duas frutas.

Cagaita, outra fruta visualmente parecida com o jambo e com a gabiroba... Foto: Arnaldo Silva / ecovidabomdespacho.com
Mas as propriedades são semelhantes às das "primas" mostradas acima já que a cagaita também é rica em vitaminas do complexo B, vitamina C e antioxidantes.

Aqui em Brasília, a cagaita é bastante usada na fabricação de sorvetes e é comum vermos as belas flores brancas da cagaiteira enfeitando a cidade.

Os frutos dão o ar da graça de setembro a outubro, podendo ser coletados, aqui no DF, por brasilienses e candangos em qualquer espaço público.

Cagaita é um fruto bem comum de se apreciar nas calçadas de Brasília. Foto: Aender M. F.
Aliás Brasília tem tanto o conceito de pomar a céu aberto que até existe um aplicativo de celular que mostra onde estão os frutos gratuitos da capital. É o Fruit Map!

E árvore frutífera espalhada pelas "Asas" é o que não falta!

Cagaiteira que enfeita o Centro de Ensino Médio da Asa Norte, em Brasília. Foto: ceandf.wordpress.com
Mas se você mora por aqui não se anime demais, ok? A cagaita, para a maioria das pessoas, funciona como um laxante natural, não devendo ser consumida em grandes quantidades.

Aliás, é daí que vem o nome pelo qual a Eugenia dysenterica é popularmente conhecida. O "Eugenia" é uma homenagem à Eugénio de Saboia, o príncipe francês.

Flores da cagaiteira: lindas! Foto: ceandf.wordpress.com

E uma curiosidade: nunca comprovei o fato, mas as pessoas idosas dizem que o chá das folhas da cagaiteira, ao contrário dos frutos, faz parar a diarreia. Graças a Deus nunca precisei fazer o teste.

Aliás, essas três belas frutinhas amarelas, como propriedades bem semelhantes são originárias do mesmo bioma, o Cerrado.

Esse exuberante hotspot brasileiro é a savana mais rica do mundo, abrigando 11.627 espécies de plantas nativas já catalogadas.

O maridão, lá do alto do Morro dos Pirineus, em Goiás, fotografando as maravilhas do Cerrado!
Aqui em Brasília, inclusive, existe uma associação sem fins lucrativos com o objetivo de proteger, estudar, recuperar e divulgar as belezas do Cerrado, especialmente as do Brasil Central.

É a Rede de Sementes do Cerrado, fundada em 2004. Essa OSIP promove encontros regionais, participa de seminários nacionais, realiza cursos e edita livros sobre o tema. Eu fiquei conhecendo ao escrever esse post e adorei o projeto!
LEIA TAMBÉM:
. Geleia de Jambo-Amarelo!
. Enfiando o pé na Jaca!
. Boas práticas para a vida!
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