Le Chef, gastronomia de qualidade na Netflix!

Por sexta-feira, 25 de agosto de 2017 , ,

Em "Le Chef", Jean Reno e Michaël Youn deixam claro o que é ser um cozinheiro! 
Cozinheiro que ama o que faz descansa pensando em comida. Não tem jeito! Ou é conhecendo um novo restaurante ou inventando uma receita ou, ainda, vendo um filme gastronômico.

Eu, vira-e-mexe, estou fazendo uma dessas três coisas... Ontem foi a fez de curtir um tempinho a mais no sofá procurando um bom programa na Netflix. Acabei encontrando o "Le Chef".

O filme, do francês Daniel Cohen, conta a história de dois cozinheiros com trajetórias bem diferentes e uma importante característica em comum: o amor pela gastronomia!

Filmes e documentários sobre o universo gastronômico não faltam na Netflix!
Uma paixão pelo ato de cozinhar que vai além dos prêmios, do reconhecimento e da satisfação pessoal. "Le Chef" ou "Comme un Chef" (seu título original) revela com muita sensibilidade e bom humor detalhes significativos da vida de um verdadeiro "Chef".

Até rola uma espionagem básica do concorrente, de uma maneira bem divertida! A impagável cena do Michaël Young vestido de gueixa só para saber o que tem de tão especial na gastronomia molecular é, pra mim, uma das melhores!

Qual o Chef nunca sonhou em dar uma espiadinha no cardápio do concorrente?
Aliás, esse é o ponto central do filme: o que é mesmo ser um "Chef"? A palavra, em voga na última década, tornou-se banalizada pelo discurso vazio de muitos "pseudos chefs".

Hoje, qualquer um que faça um risoto um pouquinho mais elaborado define o prato como "Gourmet" e se autointitula "Chef"...

"Le Chef", diversão garantida para qualquer cozinheiro, disponível na Netflix!
Mas "Chef", com toda a pompa que essa palavrinha carrega, está bem longe dessa definição! E é isso que o apetitoso filme, estrelado por Jean Reno e  Michaël Youn, revela: o título independe de estrelas, restaurante ou dólmã bordada.

A talentosa dupla, inclusive, nos faz pensar em questões bem interessantes, expondo duas realidades contrastantes da mesma moeda: a de um cozinheiro criativo e sem restaurante, vivido por Michaël Youn, e a de um dono de uma tradicional casa e sem ideias originais, interpretado por Jean Reno.

Ser um "Chef" é ter um restaurante? Essa é uma das questões levantadas pelo filme...
E, com isso, o longa deixa bem claro: ser "Chef" não é ter um restaurante! Outra bola que o "Le Chef" levanta é que cozinha é lugar de criatividade, diversão e comprometimento!

Preceitos que vivenciei trabalhando no premiado restaurante Hermengarda, na capital mineira. Durante um curto e precioso tempo ao lado do talentoso Chef Guilherme Melo descobri que a preparação final é resultado de inúmeras outras boas decisões.

Galinha caipira ao molho de café com aligot de baroa e queijos Catauá e d'Alagoa. Bela criação do Chef Guilherme Melo. Foto: Hermengarda / divulgação.
O maravilhoso prato, que muitas vezes pode até ganhar capa de revista e estrela no tão cobiçado Guia é, na verdade, só um detalhe dessa experiência de sucesso! Apesar de na foto parecer algo mágico, a comida pronta não é  fruto de um sopro divino ou de um momento único de inspiração.

Pelo contrário. O trabalho para se chegar à uma receita premiada começa lá atrás, na escolha da equipe, dos fornecedores, da montagem do cardápio, da mesa bem posta, do garçom preparado, do ajudante interessado e do cozinheiro feliz!

Guilherme Melo, cozinheiro feliz e verdadeiro "Chef"! Orgulho de ter trabalhado com ele! Foto: Hermengarda / divulgação.
Não que o o prato não seja importante. Nada disso! Com o Gui aprendi que manter um restaurante de sucesso é como reger uma orquestra. Tudo tem que estar funcionando em harmonia. E o belíssimo menu é só o reflexo dessa eficiente regência.

Parece filosófico mas na prática faz todo sentido. E essa, inclusive, é uma ótima comparação. Porque, ao colocar o "Chef" na categoria de "Maestro" dá pra entender perfeitamente que ele não é a estrela principal!

Nemesis de chocolate com sorvete e farofa de banana do restaurante Hermengarda. Foto: Hermengarda / divulgação.
O destaque, bem como na sinfônica, é o conjunto da obra! Nunca uma pessoa ou apenas uma melodia! E num bom restaurante a lógica, invariavelmente, é a mesma! Dificilmente você conseguirá identificar uma casa de excelência que não se encaixe nesse padrão.

Quer um exemplo? Certamente você já foi em lugar onde a comida era boa mas o atendimento foi tão ruim que você nunca mais animou voltar... Porque sim, não adianta servir a melhor refeição do mundo e tratar mal o freguês ou não cuidar da higiene das preparações ou da limpeza da casa ou, ainda, da bela arrumação das mesas.

Belíssimo salão do restaurante Hermengarda, em BH. Simples e elegante. Impossível não se apaixonar!
Aliás, essa harmonia é uma regra pra vida, né? E o tal glamour, então? Não faz parte dessa equação? Bem, até onde sei, um verdadeiro "Chef" sempre será reconhecido! E o Hermengarda me fez ver isso de uma maneira bem concreta!

Vi, convivendo com o Guilherme Melo (que deixou a psicologia para se formar no Senac Minas), que os "louros da profissão" você colhe na forma do elogio de um cliente ou da casa sempre lotada ou estampado na página de uma revista ou dos quadrinhos na parede estrelada...

Ser eleito o "Chef" do ano é mais que um título. É a consagração de um belo trabalho!
Percebi também que, nesse momento de glória, se você é um Cozinheiro (isso, com C maiúsculo) acaba sentindo que é hora de seguir em frente. De abraçar outros projetos e encarar novos desafios...

Não vou te contar o final do filme, mas posso te dizer da história do Guilherme. E foi exatamente o que o meu querido amigo fez. Depois de dez anos de muito trabalho e sucesso ele fechou o Hermengarda.


E encerrou a bela trajetória com uma emocionante carta aos amigos da casa, publicada no Facebook do restaurante:

"Os 10 anos do restaurante Hermengarda foram construídos com os mais nobres ingredientes: amizades, parcerias, prêmios, comemorações e momentos inesquecíveis. No último fim de semana, encerramos as atividades do restaurante com uma gostosa sensação de dever cumprido e de muita gratidão por todos que fizeram parte da nossa história".

Os mais saudosistas podem até pensar: como assim? Confesso que me deu um aperto no peito quando fiquei sabendo da notícia. Pensei: nossa, o Gui lutou tanto e agora desistiu... Ledo engano!

Aula/jantar "Cozinha Inusitada" da CASA COR Minas 2016 comandada pelo Chef Guilherme Melo! Foto: CASA COR / divulgação.
Afinal, a vida que, de fato, merece ser vivida é uma constante mudança de querer, amar e saber... Ao fechar o Hermengarda, o Gui não deixou pra trás as glórias ou o sonho e, nem mesmo, a profissão. O Guilherme Melo é um verdadeiro Chef, independente de Dólmã, casa ou "Prato da Boa Lembrança"...

E será sempre um Chef, com ou sem restaurante. Cozinhando para mil pessoas, dando aulas ou em casa, com a família. E o melhor, fazendo de ingredientes simples verdadeiras obras de arte!

Abobrinha recheada com carne seca e queijo coalho ao pesto de manjericão! Foto: Hermengarda / divulgação.
Criações espetaculares como o prato da foto acima. O rolinho de abobrinha era uma das entradas mais pedidas no Hermengarda, das quais eu tive a honra de preparar!

Essa delícia, inclusive, é uma ótima demonstração do respeito que o Guilherme Melo tem pelo alimento. Um resultado experimentado apenas por alguém que está sempre lendo, pesquisando estudando, fazendo cursos, testando novas receitas...

Ingredientes selecionados são o início de todo prato de sucesso!
Características apenas encontradas em um verdadeiro "Chef", igual também aos do filme que motivou esse artigo. Alguém que nutre um desejo incansável de superação, que trabalha feliz enquanto todos se divertem, que sabe a importância de se cumprir a rígida disciplina de uma cozinha profissional...

Fazer, refazer, se superar... Não se engane: uma receita premiada, invariavelmente, nasce de um processo difícil!
Porque ser "Chef", caro leitor, não é mole não! É tarefa árdua, missão apenas para os fortes! Eu mesma, que nutro uma paixão avassaladora pelo meu fogão, não encararia essa não. Ser cozinheiro profissional e estar ali, a um passo do título mais importante, é só para quem ama tudo o que essa pesada rotina envolve.

E conhecê-la pode ser mais fácil do que você imagina? Está pensando em fazer um curso na área e vestir o avental bordado? Comece assistindo aos bons filmes sobre o tema! Além de diversão garantida, você passará a ter uma noção mais clara não sobre os bônus (que todos já conhecem) mas, principalmente, sobre os ônus dessa bela profissão!

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