Inhame cru pode causar alergia!

By 20:33

Inhame-coco ou Taro pode causar alergia!
Muito cuidado ao descascar inhame cru! Aconteceu ontem comigo uma coisa surreal. Estava descascando o alimento quando senti, de repente, uma picada, igual ao de uma formiga.

Olhei pra minha mão e vi um pontinho preto. Achei que fosse um bicho. Não dei importância e continuei descascando o vegetal. Dois minutos depois minhas mãos estavam queimando!

As duas ficaram vermelhas, bem inchadas, coçando e ardendo bastante. Fiquei desesperada. A sensação é horrível! Imediatamente larguei o inhame na pia da cozinha e corri para o banheiro.

Passei álcool em gel e nada. Nenhuma melhora. Aí lembrei do Bepantol. Besuntei as mãos e também não tive nenhum resultado positivo.

Passo Bepantol em tudo. Mas, dessa vez, não adiantou... Foto: makesobrerodas.com.br
Fui ficando desorientada porque percebi, naquele momento, que se tratava de uma reação alérgica. E a única vez que tinha passado por isso foi descascando alho.

Cheguei a ter falta de ar e a desmaiar por conta da reação do alho na minha mão (desde então, para fazer o meu tempero verde, eu só compro alho descascado). E, por conta dessa lembrança, que o caldo entornou de vez. Quase surtei só de pensar que passaria por tudo isso outra vez.

A única alergia que tive na vida foi ao descascar alho. Desesperei.
Enfiei as mãos no congelador, passei água quente (quase fervendo), esfreguei as mãos com bucha e sabão, cocei até ferir a pele e comecei a me arrumar pra ir ao hospital.

Então, como por um milagre, lembrei do Polaramine. Acho que Deus sentiu meu desespero e me iluminou...

Contando assim pode até parecer drama. Mas não foi. Não desejo o que passei ontem pra ninguém e é por isso que estou publicando esse alerta aqui.
Muito cuidado com a automedicação, ok?
Bem, depois do Polaramine, que é um remédio anti-alérgico, foi só alegria. As mãos começaram a desinchar, pararam de arder e a coloração foi voltando ao normal.

Todo esse susto durou cerca de vinte minutos mas pra mim, sozinha naquela cozinha, pareceu uma eternidade.

Tenho consciência que praticar automedicação não é o ideal e, muito menos, aconselhável, mas tenho certeza que qualquer um no meu lugar, tomaria até remédio de reação adversa desconhecida. Porque eu sei que o Polaramine resolve o problema e depois te derruba.

Fiquei muito mole por conta da reação do Polaramine. A Evie, minha filha de pelo, cuidou de mim...
Aliás, passei quatro horas dormindo por conta do efeito do remédio. Mas se não o tivesse tomado, não sei como poderia ter terminado essa história.

Mais tarde, depois de tudo, fui pesquisar na internet e descobri que o problema não estava na minha pele especificamente.

Nem se tratava de reação alérgica a um possível agrotóxico ou bicho que tivesse "passado" pelo inhame durante esse processo campo-supermercado.

Achei que algum bicho tivesse "contaminado" o inhame...
Descobri que na casca desse tipo de inhame, conhecido em algumas regiões por inhame-coco ou "taro", existe um ácido chamado ácido oxálico que pode provocar, em algumas pessoas, coceira, inchaço e vermelhidão.

E mais, isso só acontece ao manipular o inhame cru. Depois de cozido, esse tubérculo se torna totalmente inofensivo até aos alérgicos.

Inhame-coco ou taro: um possível agente causador de alergia.
Para saber se você também tem alergia ao inhame-coco, ou taro, é fácil. Basta encostar um pedacinho da casca dele no seu antebraço. Se a região começar a coçar ou ficar vermelha está constatado: você é alérgico.

Mas eu entendo se você nem quiser arriscar a fazer o teste. Tem um procedimento bem mais simples que, aliás, eu seguirei a partir de hoje: sempre usar luvas para descascar qualquer vegetal. Assim, com essa regrinha básica, você evita o problema.

Luvas cirúrgicas. Uma boa dica para evitar a contaminação. Foto: Werneuchen / commons.wikimedia.org
Se você não tiver luvas cirúrgicas ou de borracha em casa e tiver que descascar o taro o "pulo-do-gato", que vai fazer com que você evite um possível contato com os cristais de oxalato de cálcio presentes nessa variedade de inhame, é cozinhá-lo com casca e, só depois de cozido, manuseá-lo.

O inhame-coco cozido não causa alergia.
Outro cuidado em relação ao inhame-coco, de extrema importância, é nunca usá-lo cru em uma receita. Afinal, ainda que você não tenha alergia ao ácido oxálico, outra pessoa pode ter e passar muito mal com o consumo da preparação.

Então, nada de colocá-lo em sucos ou sopas sem estar cozido, ok? E um último detalhe, que muita gente (inclusive eu) faz confusão: inhame e cará são dois elementos distintos.

Normalmente a gente se refere aos dois como se fossem o mesmo alimento, mas não são. Pra começar, inhame é um rizoma e cará um tubérculo.

Cará ou inhame? Bem, a gôndola do supermercado me diz que é cará...
E, pra quem fica na dúvida na hora de comprá-los, é só ficar atento: o inhame é redondo e tem muitos pelos pequenos. Já o cará, normalmente, é mais liso e comprido.

Não sei se é verdade porque não sou nutricionista mas, pelo que pesquisei, esses dois alimentos, também possuem propriedades diferentes. E, nesse quesito, o inhame "ganha" do cará por ter mais que o dobro de potássio, fundamental para o controle da pressão arterial.

O inhame possui ainda o dobro de fósforo existente no cará. Em contrapartida, o inhame "perde" para o cará na avaliação das fibras, já que o cará apresenta 5 vezes mais fibras que o inhame.

Vale ressaltar, ainda, que esses "primos distantes" auxiliam no processo de controle de absorção de açúcar e colesterol pelo organismo. Inhame e cará também apresentam grande concentração de ferro, contribuindo no tratamento da anemia.

Cará-moela ou cará-do-ar...
Existe ainda o cará-moela ou cará-do-ar. Esse tipo não é comprido e tem um formato bem característico. Como o nome diz, parece uma moela. Eu, romântica que sou, já vejo um coração... Rsrs...

A planta também é conhecida como cará-do-ar porque é uma trepadeira que produz batatas suspensas, igual ao chuchu. Aliás, o cará-do-ar e o taro são mais fáceis de identificar não é mesmo?

Três vegetais distintos (da esquerda para a direita): inhame-coco ou taro / cará  / cará-do-ar
Reforçando que, pela minha experiência, pude comprovar que tenho alergia somente ao inhame-coco. Não li nada sobre os outros tipos de inhame ou cará provocarem alergias e nem senti nenhuma reação estranha ao manusear o cará ou o cará-do-ar ou a batata-doce.

Talvez você também seja alérgico ao taro. Ou não. Eu, sinceramente, espero que não. Mas se, ao manipular o inhame-coco ou algum desses produtos citados acima, você passar por por uma situação semelhante à descrita por mim, não se desespere. Lave imediatamente as mãos com água e sabão neutro.

Se suas mão começarem a coçar, lave-as imediatamente com água e sabão neutro. Foto: cleanworks.com.au

E procure, o mais rápido possível, um farmacêutico, um clínico geral ou o posto de saúde mais perto da sua casa. Certamente um bom profissional de saúde vai te auxiliar na compra do remédio anti-alérgico ideal para o seu caso.

Você vai ver que em poucos minutos tudo voltará ao normal. E, assim que o susto passar, volte pra cozinha sem traumas. Termine a sua preparação e saboreie, sem medo, o belo inhame cozido!

Inhame é tudo de bom! Mas tem que estar cozido, ok?
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