Arroz com arsênio?

By 19:48

Arroz com arsênio?
Não, você não leu errado. Comer arroz contaminado com arsênio, por incrível que pareça, infelizmente não é nada de outro mundo. E, pra ser ainda mais sincera (rsrs...) a discussão nem é nova. Mas, como saiu ontem (17/02/17) no site da BBC Brasil (e dia 10/02/17 no portal da BBC Health) o assunto voltou a chamar a atenção de cozinheiros e comensais.

A notícia, apesar de "antiga", é bastante atual e preocupante. Segundo a reportagem da BBC, o arroz tem de 10 a 20 vezes mais arsênico que as outras culturas. O texto esclarece, ainda, que o grão recebe o veneno via pesticida pulverizado a partir do sistema de irrigação. 

Segundo pesquisadores, o arsênio está no pesticida usado.
O problema é que 86,3% do arroz produzido em território nacional, de acordo com os dados divulgados pela Agência Embrapa de Informação Tecnológica, é cultivado dessa maneira. Ou seja,  é tarefa quase impossível comprar o grão livre do elemento químico (de símbolo As).


De acordo com o farmacêutico-bioquímico Bruno Lemos Batista, autor da pesquisa feita pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, a absorção pelo organismo humano de uma concentração elevada de arsênio pode contribuir para o desenvolvimento de doenças graves, como as cardíacas e, até mesmo, o câncer.

E o pior: ainda segundo o farmacêutico-bioquímico, o grão de arroz integral (teoricamente o mais saudável) é o que apresenta o maior nível de contaminação. 

O arroz integral pode apresentar níveis de contaminação com arsênio maiores que o branco.
A única constatação positiva, apesar da gravidade da notícia, é que existe uma forma simples de nós cozinheiros amenizarmos o problema. 


Lavar o arroz com água fervente pode ser a chave para eliminar parte do arsênio do grão.
Outra solução é deixá-lo de molho na proporção 5 xícaras de água filtrada para 1 xícara de arroz (pelo menos por 6 horas) antes do cozimento (e desprezar essa água depois, ok?). De acordo com a matéria da BBC Brasil, essa técnica reduz até 80% do arsênio impregnado no arroz.

Deixar o arroz de molho pode ajudar a resolver o problema da contaminação pelo arsênio.
Aliás, o "deixar de molho" é uma boa saída para vários problemas culinários! Rsrs... Eu sempre deixo o grão-de-bico em água filtrada por, pelo menos, 12 horas antes de fervê-lo. E nunca cozinho o meu feijão Azuki sem antes deixá-lo descansando... 

Sempre deixo meu feijão Azuki de molho antes de cozinhá-lo!
Dicas paliativas que, num primeiro momento, são as ferramentas que estão ao nosso alcance, né? Então, bora colocá-las em prática desde já!

P.S.: esses métodos, ao meu ver, não deveriam encerrar a discussão. Não sei se você ficou sabendo (eu não sabia e sei que deveria), a ANVISA fez, em 2016, uma consulta pública para estabelecer os limites máximos tolerados de contaminantes (arsênio, cádmio, chumbo e estanho) nos alimentos infantis

A alimentação infantil requer ainda mais cuidado! Foto: portal.anvisa.gov.br

Parece distante desse problema do arroz? Não mesmo! Estamos falando também, caro cozinheiro, das papinhas prontas (das quais muitas são feitas com arroz!).


Alimentar o seu bebê com papinha pronta não é tão mais prático e pode ser perigoso! Foto: Viktorija Kuprijanova/Thinkstock/Getty Images
A ingestão de tal quantidade, segundo a ANVISA, não seria prejudicial à saúde de um adulto (que consome, em média, 100 gramas de arroz por dia). Mas e o bebê? E pior: e o bebê que vive à base de papinha pronta?

Bem, isso, no caso, já é um bom assunto para uma próxima discussão...
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2 comentários

  1. Nooossa... a gente pensa que você saudável e descobre que pode melhorar ... um simples arroz ...vivendo e aprendendo. Obrigada

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    1. Verdade! E esse é o grande barato da vida, né amiga! Melhorar! Sempre! Muito obrigada pela audiência e pelo carinho!!! Beijo grande!

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