Pão Integral de Máquina

By 12:30 ,

Pão de abobrinha! Integral e feito em casa!
O post de hoje é em homenagem à minha querida prima Tatiana Adaid. Foi por causa dela que comprei, há uns 7 anos, minha máquina de fazer pão. Confesso que, logo que o equipamento chegou lá em casa, fiquei super empolgada e fiz muitos pães deliciosos!

Por ironia do destino, nenhum que a Tati tenha provado... Mas, passada a "novidade", foi dando uma preguiça gigante de fazer o pão e eu acabei abandonando o hábito...

 Outro dia, muitos anos depois, resolvi resgatar a máquina das profundezas do meu armário de cozinha... Rsrs... Tudo porque comecei (como toda mulher) a me olhar no espelho e a me achar enorme de gorda! Aí parei de comer pão de sal no café da manhã e comecei a comprar o integral industrializado.

Tudo ia muito bem. Um dia tinha pão de linhaça, no outro de chia, depois de macadâmia... Até meu intestino começou a funcionar melhor. A não ser por um pequeno detalhe: nada do ponteiro da balança mexer!!! Já estava ficando indignada porque tinha cortado um dos alimentos que mais adoro comer pela manhã e todo o meu mega esforço estava sendo em vão...

Foi quando resolvi ler o rótulo do pão de forma "integral" que compro no mercado. Para minha surpresa, de integral ele tem muito pouco... Já leu as informações da embalagem? No da marca Wickbold está escrito: "Farinha de trigo integral, farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, glúten, fibra de trigo, açúcar, fermento biológico, óleo de soja, sal e conservador proplanato de cálcio. Contém glúten".

Já no integral da Seven Boys os ingredientes são: "Farinha de trigo integral, glúten de trigo, açúcar mascavo, sementes de linhaça marrom, gordura vegetal de palma, sal, conservador propionato de cálcio, emulsificantes (mono e diglicerídeos de ácidos graxos e estearoil-2- lactil lactato de sódio), acidulante ácido lático e melhoradores de farinha (ácido ascórbico e azodicarbonamida). Pode conter traços de leite, soja, ovos, castanhas e nozes. Contém glúten".

Aí eu fui pesquisar e descobri que, de acordo com a Anvisa, a legislação brasileira que regulamenta a indústria alimentícia pode fabricar um produto vendido como " pão integral" que contenha até 50% de farinha de trigo branca. A explicação se dá pelo fato da farinha integral absorver líquidos com bastante facilidade, tornando inviável a produção de um pão 100% integral.

Assim, todas as empresas do ramo, os produzem desta forma e aí estava o X da questão! Sem falar que, além da grande quantidade de farinha branca presente nos dois pães, duas fatias de cada uma das marcas contém 10% de sódio (Wickbold) e 13,5% (Seven Boys). Pra quem ainda não sabe, o consumo excessivo de sal leva, entre outras coisas bem mais graves, à retenção de líquido e, consequentemente, ao inchaço... Ou seja, nunca ia perder peso comprando pão branco "torradinho" e "enfeitado" com castanhas... Rsrs... Foi neste momento que a minha querida máquina de fazer pão ganhou vida novamente! Agora ela é uma das estrelas da minha cozinha!

Fazer o alimento voltou a ser algo sagrado em minha casa! E a alegria do primeiro pão quentinho só foi superada pela alegria do segundo, do terceiro, do quarto... Claro, o primeiro que fiz não deu muito certo não. Peguei uma receita pronta de pão pesto que vem junto com a máquina e fiz algumas modificações.

Farinha de trigo integral.
Teve que ser assim porque, pelo menos no livrinho da Cadence, modelo Finezza, que é a que tenho em casa, não existe nenhuma receita de pão integral... Deu errado porque coloquei somente farinha de trigo integral. Ficou duro que nem pedra. Acho que ficou mais duro que minha cabeça... Rsrs...

Comprovado: realmente não dá pra fazê-lo 100% integral! Rsrs... Nas tentativas seguintes fui variando as proporções da farinha de trigo branca e da integral. Depois de vários pães massudos demais ou excessivamente crus, ou nanicos de dar dó, cheguei na minha fórmula de sucesso!

A abobrinha dá um toque especial ao pão integral...
Lembrando que quanto mais farinha integral você colocar mais seu pão tende a não crescer tanto e a ficar mais "massudo"... Descobri que não gosto de pão sem recheio e que, de todas as opções testadas, o que mais gosto é o de abobrinha. Eu prefiro a abóbora menina, mas dá para substituí-la pelas abóboras italianas, ok?

E a receita é bem simples:

- 3 colheres de sopa de azeite extravirgem (lá em casa só uso o de acidez máxima 0,2%)
- 2 colheres de sopa de açúcar (eu uso o mascavo mas, se você não tiver, pode ser o cristal)
- 2 colheres de chá (rasas) de sal
- 1 ovo
- 240 ml de leite (eu uso o semi desnatado, mas já usei o integral e deu certo)
- 1 abobrinha média picada em pedaços bem pequenos (eu uso o processador porque é muito mais prático)
- 250 g de farinha de trigo branca
- 500 g de farinha de trigo integral
- 2 colheres de chá de fermento biológico seco para pão
 - 1 máquina de fazer pão

Ah, detalhe importante: cada máquina é de um jeito. Umas fazem pães de 500 g, 700 g e 1 kg. Outras já fazem de 500 g, 750 g e 1 kg. A minha, a Cadence modelo Finezza, é desta última e possui ainda três opções de cor do produto assado: claro, médio e escuro.

Para fazer o meu pão eu habilito as configurações: peso 750 g e cor escuro. Não sei se fazendo esta receita em outra máquina vai dar certo. Mas se não der, nenhum problema. Garanto que com umas três tentativas você consegue chegar no seu pão ideal. Digo "seu" porque gosto é algo, de fato, muito particular. Pode ser que o que pra mim é "moreninho" e "crocante" pra você seja "queimado" e "duro". Então, só fazendo e provando mesmo...

Ingredientes líquidos e o recheio devem ser colocados primeiro.
O que é igual, em todas as máquinas, é a ordem de colocação dos ingredientes. Primeiro, obrigatoriamente, são despejados na forma os ingredientes líquidos (leite, azeite e ovo). Depois coloca-se o açúcar, o sal e os recheios.

Dica: em algumas máquinas existe um apito sonoro que indica o momento de se acrescentar o recheio à massa - a minha até tem isso, mas coloco a abobrinha junto com o açúcar e o sal e nunca tive problema.

Acrescentando a farinha de trigo branca...
Por último, devem ser acrescentadas as farinhas branca e integral, não importando a ordem. O fermento só vai segundos antes de ligar o equipamento, por cima da farinha. O manual da minha máquina recomenda se fazer uma cavidade no topo dessa montanha de farinha, colocar o fermento e cobrir com mais um pouco de farinha.

O fermento vai aí neste buraquinho... Depois de colocado, deve-se cobri-lo com farinha.
A "traquitana" é para evitar que o fermento entre em contato com os ingredientes líquidos antes do momento certo. Fermento "coberto", é hora de "plugar" a máquina na energia, selecionar a cor (escura), o tamanho (500 g) e apertão o botão "ligar".

Três horas e quinze minutos depois o pão está pronto! Ah, mais uma coisa: não sei como é a sua, mas a minha máquina funciona assim: nas duas primeiras horas ela "bate" a massa repetidas vezes (uma espécie de "sova mecânica") com intervalos de "descanso da mesma". E na última hora a massa cresce e assa. Não tem mistério! É só isso.

Mas tem macetes, ok? O mais importante para se ter um pão perfeito é um fermento perfeitamente novo. Não dá para aproveitar fermento velho não, viu!? A economia vai comprometer toda a sua receita!

O saquinho do fermento já é bem pequeno por conta disso mesmo! A quantidade dá pra fazer até três pães mas você só poderá usar o fermento já aberto se tiver acondicionado a embalagem muito bem fechada e em local seco.

Eu a coloco um saco e este plástico fica guardado dentro de um pote de vidro com tampa de rosca. Pode parecer um exagero mas, depois de ficar três horas "chocando"o pão e ter que jogá-lo no lixo porque ficou "encroado" e não cresceu, eu aprendi a lição... Rsrs...

Outra questão importante é a quantidade de farinha colocada. Teoricamente são 750 g mas essa medida pode variar e os primeiros quinze minutos de funcionamento do aparelho são cruciais para você corrigir isso, caso necessário.

É bem simples. Quando a máquina é ligada os ingredientes começam a ser misturados. A hélice vai girando e a massa vai se formando... O que você tem que identificar é a consistência dessa massa. Se virar uma bolinha uniforme, que não gruda nas paredes da forma, ótimo. Está tudo certo. Pode fechar a tampa do aparelho e só voltar na cozinha três horas depois.

Mas se virar um grude, ou seja, uma massa bem molhada, quase pastosa (e a chance é grande já que depende da quantidade de água que vai sair da abobrinha) não se desespere! Tudo o que você tem que fazer é ir acrescentando mais farinha (pode ser da branca ou da integral), aos poucos, até a massa formar a tal bolinha... Cuidado só pra não ficar nervosa e virar o saco de trigo de uma só vez, ok? (já fiz isso...) Rsrs...

Agora, se você ligar a máquina e, dez minutos depois, a massa já tiver bem seca, com muita farinha no fundo da forma que não conseguiu ser incorporada à mistura, acrescente um pouquinho de leite. mas é bem pouco mesmo, tá? Uns 5 ml de cada vez até chegar na consistência almejada (de bolinha).

Ah, outra coisa: como a abobrinha é perecível e está muito quente você deve manter seu pão sempre dentro da geladeira. Eu comprei uma caixa de plástico bem grande (tipo organizadora) e guardo o meu pão lá...

Quentinho, fresco, integral e, o melhor, feito em casa!
Outra coisa, depois que o pão sair da máquina você não deve colocá-lo direto da caixa não. Tem que esperar o pão esfriar bem e só assim guardá-lo porque senão o pão vai "suar" dentro do recipiente e corre o risco de mofar.

Acho que é só isso. No mais é escolher ingredientes de qualidade e começar a brincar! Lembrando que o meu é de abobrinha mas o seu pão pode ser de cenoura, de beterraba, de cebola, de manjericão, de tomate seco... Para um cozinheiro que ama o que faz, as combinações não tem limite! Precisando, é só escrever pra gente!

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2 comentários

  1. Essa receita é válida para quem não tem máquina de pão? Você tentou fazer na mão? Eu, particularmente não gosto de máquinas de fazer pão, prefiro eu mesma amassá-los!

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    Respostas
    1. Oi, Selma, tudo bem? Muito obrigada por escrever pra gente! Sim! Eu já fiz essa receita na mão. A diferença está somente na quantidade de farinha porque quanto amassamos na mão, a mistura tem que ficar bem mais soltinha, né? Mas dá certo também. É só ir acrescentando a farinha aos poucos... Você vai ver que vai acabar usando mais farinha que o indicado na receita. Eu também gostava de fazer pão do jeito tradicional mas, depois que comprei a máquina nunca mais tive essa vontade de amassar o pão... Rsrs... Sem falar que a máquina, além de barata, faz um pão bem gostoso também... Mas se você está afim de fazer na mão, vá em frente! Além de ser uma terapia é um ótimo exercício, não é mesmo? Precisando, estou às ordens! Um ótimo trabalho pra você! Abraços, Mari Bontempo.

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