Alimentação consciente: é o que temos pra hoje!

Por segunda-feira, 21 de setembro de 2015 ,

Hambúrguer artesanal é tudo de bom! Esse, do Singelo Burguer, é, pra mim, o melhor de Taguatinga, no Distrito Federal.
Tem sensação mais prazerosa que comer uma bela comida caseira, feita especialmente pra você? Eu desconheço. Hambúrguer artesanal pra mim, então, é o melhor exemplo!

Acho que é por isso que eu não consigo entender porque as pessoas compram hambúrguer congelado. Não é mais prático. Não é mais saboroso, não é mais saudável e, muito menos, mais barato. E o mais grave, não é carne!

Bife de hambúrguer congelado não é saudável. Foto: Perdigão / divulgação.
Se você prestar bastante atenção naquelas letrinhas miúdas da caixinha vai ver que está escrito: "Carne bovina, gordura de frango, água, proteína de soja, sal, cebola, açúcar, maltodextrina, mostarda, pimenta do reino, regulador de acidez lactato de sódio (INS 325), estabilizante tripolifosfato de sódio (INS 451i), antioxidante eritorbato de sódio (INS 316), realçador de sabor glutamo monossódico (INS 621), estabilizante difosfato de sódio (INS 450i), espessante carragena (INS 407), corantes naturais caramelo IV (INS 150d) e ácido carminico (INS 120). Não contém glúten".

Ler o rótulo faz a diferença na vida de todo cozinheiro. Foto: Pif Paf / divulgação.
Essa é a composição do hambúrguer bovino tradicional descrita no site da empresa Pif Paf. Aliás, só  os sites da Pif Paf e da Aurora dão a composição do produto. Você não encontra essas informações nem no Portal da Sadia, nem no da Seara, nem no da Friboi e muito menos no da Perdigão.

Nas páginas das quatro maiores indústrias de alimentos processados e ultraprocessados que atuam no Brasil você só vê lindas fotos e receitas. E, quando muito, a informação nutricional dos produtos. Imagens bem feitas e receitas incríveis para você trabalhar o produto deles da melhor forma são parte de uma estratégia de marketing bem desenhada, que acaba te fazendo acreditar que aquele produto é saudável.

Não se deixe enganar por sites bonitos. Hambúrguer de caixinha é caro e nada nutritivo. Foto: reprodução site Sadia.
E você, ingenuamente, compra a ideia. E ainda paga caro por ela. E leva pra casa uma carne da caixinha. E ainda volta do supermercado com um vidro de maionese "light", um pão branco de saquinho processado e os orgânicos (caríssimos), alface e tomate. E monta um super lanche.

É, pode até ser prático, rápido e bonito (se as folhas tiverem bem verdinhas e o tomate maduro). Mas não vai passar de disso: uma refeição bonitinha, pouco nutritiva e repleta de substâncias químicas indesejáveis.

A foto é linda, mas o lanche não é nada saudável. Foto: reprodução site Perdigão.
E aí vem a pergunta: se você investiu nos orgânicos, por que comprou o hambúrguer congelado? Já leu o rótulo daquela belíssima embalagem? Pois deveria, caro leitor. Passar uma colher de sopa de maionese num pão branco processado, colocar uma folha de alface em cima não é fazer uma refeição saudável.

Tá, quem nunca? Mas essa prática, caro cozinheiro, deveria ser exceção. Principalmente se você começar a pesquisar o que come. Aí, por experiência própria, eu te garanto: você vai segurar um pouco mais a fome e, ainda que esteja cansado, vai animar fazer o seu hambúrguer artesanal. Aqui em casa essa é uma refeição que fazemos com regularidade.

Hambúrguer artesanal feito pelo meu maridão. Perfeito!
Uma refeição simples, barata e honesta. Algo que, infelizmente, nem todo mundo faz. Afinal, o Brasil não passou (em menos de 30 anos) de uma população subnutrida para um país de obesos por conta de um lanchinho ou outro.

De acordo com dados do Ministério da Saúde cerca de 56,9 %, da população adulta (82 milhões de brasileiros) está acima do peso.

Obesidade é um problema de saúde pública. Foto: provisa.com.br
E esses números assustam ainda mais quando analisamos o universo infantil. De acordo com a última Pesquisa Nacional de Saúde, 60,8% das crianças com menos de dois anos de idade comem biscoitos, bolachas e bolos e 32,3% tomam refrigerantes ou suco artificial.

Uma triste realidade muito bem evidenciada através das lentes de Estela Renner, diretora do belíssimo documentário "Muito Além do Peso", patrocinado pelo Instituto Alana.

Obesidade infantil é algo que, ao meu ver, não poderia existir. Foto: AGorohov / Shutterstock.com
Sabe aquele tipo de filme que te deixa perplexo, com vontade de levantar do sofá e fazer algo? Este é um deles. Bem produzido, dirigido e editado. Uma obra que, ao meu ver, deveria ser assistida por todos nós, principalmente por quem é pai ou mãe.

Pois é, caro cozinheiro,  infelizmente essa é a nova ordem mundial: a ditadura dos ultraprocessados (alimentos feitos em larga escala, “vazios” em nutrientes), que consumimos diariamente por ignorância ou preguiça.

Na pressa, acabamos considerando qualquer lanche uma refeição. Foto: creativecommons.org / pxhere.com
Uma rotina que, muitas vezes, adotamos sem perceber. Por ser mais prático e por conta dessa vida corrida acabamos voltando do supermercado com a "comida de saquinho". Compramos com a convicção de que estamos levando "alimentos" para nossa casa porque precisamos acreditar nessa ideia.

Mas a gente sabe que aquilo não é comida de verdade. E o motivo é bem simples: você já leu o rótulo desses produtos? Tem como acreditar que eles são livres de hormônios ou conservantes? Se você acredita, me conte o segredo. Pra mim essa mágica não faz sentido algum.

Nossa alimentação saudável começa nas escolhas feitas no supermercado. Foto: cfn.org.br
É a mesma lógica do hambúrguer que não se deteriora. Existem vários vídeos na internet mostrando sanduíches que permanecem intactos por anos. Um bom exemplo é o Happy Meal Project.

A página do Flickr foi feita por Sally Davies, uma vegetariana convicta que decidiu provar que o hambúrguer do McDonald’s não pode ser considerado comida. Sally comprou um “Happy Meal” e decidiu fotografá-lo todos os dias até que apodrecesse.

Hambúrguer do McDonald's fotografado no dia em que foi comprado. Foto: Happy Meal Project / Flickr.com
O combo "batata e hambúrguer", parte do menu infantil da cadeia de fast-food norte-americana, foi clicado 2293 vezes! De 10 de abril de 2010 até o dia 10 de abril de 2016 o lanchinho esteve lá, em cima da mesa dela, praticamente intacto!

Um hambúrguer com aspecto semelhante ao que tinha no primeiro dia, sem sinais óbvios de decomposição, só pode indicar o óbvio: não é comida e, muito menos, saudável! Afinal, tem como ser considerada comida saudável um alimento que nem mofo o come?

Hambúrguer do McDonald's fotografado 6 anos depois. Foto: Happy Meal Project / Flickr.com
Pois é. Esse é o ponto: dá pra ingerir esse tipo de "refeição"? E o pior, servir para o filho como uma espécie de prêmio? Bem incoerente, principalmente partindo da espécie que se julga a mais inteligente do planeta, não é mesmo?

Sei que é muito difícil se livrar desse ciclo vicioso. Mas sim, existe luz no fim do túnel! E essa "chama" está em suas mãos, caro cozinheiro!

Quebrar esse ciclo vicioso dos alimentos ultraprocessados só depende de nós cozinheiros!
E isso é o mais bonito do ato de cozinhar: poder escolher ser saudável todos os dias! Não abandone, portanto, esse dom que Deus te deu ao te proporcionar o bom relacionamento com as panelas, o paladar apurado e a vontade de agradar o outro.

Porque sim, comida é algo que nos deixa felizes e que também pode nos deixar saudáveis. E são as atitudes simples que podem provocar essa mudança. Preste mais atenção no que você coloca no prato. Separe mais tempo para sua ida ao supermercado. Escolha os produtos com calma e inteligência.

Você sabe o que tem que ser feito. Faça a escolha certa! 
Não dê a desculpa do "é o que temos pra hoje" porque hoje é o único dia pra se ter uma vida saudável, feliz e repleta de texturas, cheiros e sabores.

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