Alimentação consciente: é o que temos pra hoje!

By 19:23

Hambúrguer caseiro, feito por mim!
Sério. Não consigo entender porque as pessoas compram hambúrguer congelado... Não é mais prático. Não é mais saboroso, não é mais saudável e, muito menos, mais barato. E o mais grave, não é carne!

Se você prestar bastante atenção naquelas letrinhas miúdas da caixinha vai ver que está escrito: "carne bovina, carne de frango, gordura bovina, água, especiarias (cebola e alho in natura, pimenta preta moída), proteína texturizada de soja, sal refinado, proteína de soja isolada, realçador de sabor glutamato de sódio, estabilizante tripolifosfato de sódio e antioxidante eritorbato de sódio".

Essa é a composição do hambúrguer! Portanto, é um absurdo, em pleno século XXI, uma mãe de família ir ao supermercado, comprar um bife congelado, passar uma colher de sopa de maionese num pão branco processado, colocar uma folha de alface em cima e dizer que está dando ao filho um lanche saudável.

Desculpe-me, caro leitor, mas isso é palhaçada... E o pior, ouço sempre, até das amigas... Quem me conhece sabe que, tendo ciência do fato, teço uma ladainha completa para explicar os motivos da minha indignação. Claro, não farei exatamente isso aqui porque senão você desiste de acompanhar meus posts, né? Rsrs...

Mesmo porque, quem sou eu pra dar bronca em alguém? Afinal, como diz aquela frase: quem nunca... Pois é, caro leitor. A questão aqui é exatamente essa: esses erros deveriam ser exceção! O Brasil não passou (em menos de 30 anos) de uma população subnutrida para um país de obesos (de acordo com dados do Ministério da Saúde cerca de 56,9 %, da população adulta, está acima do peso - ou seja, 82 milhões de brasileiros) por conta de um lanchinho ou outro...

Números que assustam ainda mais quando a estatística se refere ao universo infantil. De acordo com a última Pesquisa Nacional de Saúde, 60,8% das crianças com menos de dois anos de idade comem biscoitos, bolachas e bolos e 32,3% tomam refrigerantes ou suco artificial.


Uma triste realidade muito bem evidenciada através das lentes e do olhar de Estela Renner, diretora do belíssimo documentário "Muito Além do Peso", patrocinado pelo Instituto Alana. Sabe aquele tipo de filme que te deixa perplexo, com vontade de levantar do sofá e fazer algo?

Este é um deles. Bem produzido, bem dirigido, muito bem editado. Orgulho de ser uma produção brasileira (obra com reprodução obrigatória em sua casa, ok? Principalmente se você é pai ou mãe!).

Pois é, caro leitor, essa é a nova ordem mundial: a ditadura dos ultraprocessados (alimentos feitos em larga escala, “vazios” em nutrientes), que consumimos diariamente por ignorância ou preguiça... Uma rotina que precisa mudar! Comer bem tem que ser regra!

E não é difícil! E não custa caro!!!! Só pra você ter uma ideia eu fiz as contas. Uma caixa contendo 12 hambúrgueres congelados custa, em média, 12 reais. Ou seja, cada hambúrguer (pesando 50 gramas) custa 1 real. Um quilo de uma boa carne para hambúrguer (eu usava patinho, mas comecei a comprar paleta que é bem mais barata e estou adorando) custa, em média, 15 reais o quilo.

Ou seja. Se você for fazer um bife do mesmo tamanho do congelado, cada bife vai custar menos de 80 centavos. Sem contar que será temperado por você. Com o que você gosta! Sem conservante, sem tanto sódio, sem gordura saturada (o da caixinha tem, em média, 20% de gordura saturada e 25% de sódio - algumas marcar chegam a conter 44% - em um único hambúrguer)...

Fresco! Preparado, praticamente, no mesmo tempo que o industrializado. A diferença é que, em vez de você abrir a caixa do hambúrguer, tirar a carne do saquinho e colocá-la na frigideira (os mais preguiçosos ainda a colocam no microondas...

Tem coisa mais nojenta??) você vai tirar a carne moída do saco, colocar numa tigela, temperar do seu gosto, moldá-la no formato de um bife de hambúrguer (eu uso um acessório bem prático que comprei por 5 dólares em um site chinês) e colocá-la na frigideira...

Pra deixar seu hambúrguer caseiro ainda mais bonito!
Simples, não? Tem mistério nisso? Se bem que de simples esse assunto não tem nada... Sei que compro carne em um açougue que se diz fiscalizado pela Anvisa (eu realmente tenho que acreditar que é porque senão eu não piro... Rsrs) e que essa carne vem de um matadouro legalizado...

Ainda assim, fico de olho no dia que a carne é entregue no estabelecimento e nunca compro os pedaços que já vieram embalados (e temperados!) da indústria. Por incrível que pareça (e você pode até achar burrice), prefiro acreditar no matadouro do "fulano" (que compra o gado de pequenos criadores e os vende para poucos estabelecimentos) do que comprar dos grandes, que gastam fortunas em comercial de TV, pagando cachês astronômicos para rostos bonitos ou com alto grau de credibilidade...

O motivo é simples: você já leu o rótulo desses produtos? Tem como acreditar que eles são livres de hormônios ou conservantes? Se você acredita, me conte o segredo. Pra mim essa mágica não faz sentido algum.

É a mesma lógica do hambúrguer que não se deteriora (existem vários vídeos na internet mostrando sanduíches que permanecem intactos por anos - um bom exemplo é o Happy Meal Project) . Tem como ser saudável (indo além: tem como ser considerada comida) um alimento que nem mofo o come? Rsrs...

Dá pra ingerir esse tipo de lixo? E o pior, servir para o filho como uma espécie de prêmio? Bem incoerente, principalmente partindo de uma espécie que se julga a mais inteligente do planeta... Claro, não tô aqui para levantar a bandeira da ditadura do sofá.

Muito pelo contrário. Sair de casa também faz parte da festa! A diferença é que quando eu saio pra comer hambúrguer eu, realmente, como hambúrguer (obviamente sem maionese, mostarda ou ketchup...)! Rsrs...

Me preocupo em escolher um lugar onde posso ver a cozinha (nesse sentido um food truck é sempre uma ótima opção), procuro ficar conhecendo o dono da lanchonete e tento até descobrir quem são seus fornecedores...

Foi o que fiz em Bonito, no Mato grosso do Sul. Em minha última viagem, comi um dos melhores hambúrgueres da minha vida! Suculento, bem temperado, feito com carne da melhor qualidade e cozido em água...

Tem coisa melhor? E ainda por cima preparado por alguém que ama o que faz! Parabéns, Hamburgueria! Doida pra voltar... Rsrs...

Hambúrguer cozido na água, da Hamburgueria de Bonito, no MS.
Dá gosto fazer uma refeição assim. Não faz mal, não dá azia, não engorda (sim porque o que engorda não é comer uma gordurinha ou outra... É ser sedentário e só comer porcaria!) e nem pesa na consciência...

Sei que você pode estar pensando que este seja um texto conspiratório (e talvez o seja mesmo) mas a questão é que é muito difícil se livrar desse ciclo vicioso. Mas sim, existe luz no fim do túnel, caro cozinheiro, e essa "chama" está em suas mãos!

E isso é o mais bonito do ato de cozinhar: poder escolher ser saudável todos os dias! Não abandone, portanto, esse dever que Deus te deu ao te proporcionar o bom relacionamento com as panelas, o paladar apurado e a vontade de agradar o outro...

Porque sim, comida é algo que nos deixa felizes e que também pode nos deixar saudáveis! Preste mais atenção no que você coloca no prato. Separe mais tempo para sua ida ao supermercado. Escolha os produtos com calma e inteligência.

Priorize os orgânicos. Não compare somente preços, leia os rótulos. Se possível, compre em feiras de produtores locais. Saia da inércia!!! E com relação ao hambúrguer, compre a carne! Insista para o açougueiro moer a peça na sua frente.

Ou invista um pouco mais e compre seu próprio moedor. Além de usá-lo para esse fim você também pode começar a produzir linguiças incrivelmente saborosas e saudáveis (sem adição, por exemplo, de conservadores prejudiciais, como o nitrato e o nitrito).

Não dê a desculpa do "é o que temos pra hoje" porque hoje é o único dia pra se ter uma vida saudável e feliz, repleta de texturas, cheiros e sabores...
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